A Verdade como Memória: Reflexões sobre a Ditadura Argentina
A afirmação de que “a verdade é produto da memória” ecoou durante um painel realizado na Associação Riograndense de Imprensa (ARI), em Porto Alegre, no dia 2 de março de 2026. O jornalista argentino Gustavo Veiga, presente no evento, ressaltou a importância de nunca esquecer os horrores da ditadura militar que assolou a Argentina, período marcado por 30 mil desaparecimentos e graves violações de direitos humanos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O Legado da Queda de 1976
Em 24 de março de 1976, um golpe militar liderado pelo tenente-general Jorge Rafael Videla derrubou o governo da presidenta María Estela Martínez de Perón, conhecida como Isabelita. Esse evento, que marcou o início da ditadura militar mais violenta da América Latina, gerou um período de repressão, tortura e assassinatos de opositores.
O jornalista Gustavo Veiga alertou para uma tendência negacionista promovida pela extrema direita, que busca obscurecer a realidade dos crimes cometidos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O Massacre de San Patrício e a Resistência da Igreja
O painel também abordou o massacre de San Patrício, ocorrido em 4 de junho de 1976 em Buenos Aires. Três padres e dois seminaristas, que protegiam estudantes e protestavam contra a ditadura, foram brutalmente assassinados com mais de 90 tiros. A ação, que expôs a coragem da Igreja Católica em defender os direitos humanos, foi amplamente condenada.
O professor visitante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Alfredo Culleton, diferenciou “esquecimento”, um ato involuntário, de “ocultamento”, uma estratégia deliberada para esconder a verdade.
LEIA TAMBÉM!
O Trabalho de Memória e a Busca por Justiça
Em 2005, o arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mário Bergoglio (1937-2025), autorizou a abertura da causa de beatificação dos religiosos assassinados. Em 2008, foi lançado um documentário sobre o crime, dirigido por Juan Pablo Young e Pablo Zubizarreta, que estimou que cerca de 100 religiosos foram assassinados ou desapareceram durante a ditadura argentina.
A passagem dos 50 anos da ditadura será marcada por manifestações e um ato na Praça do Obelisco, em Buenos Aires, onde uma bandeira com os nomes das vítimas será desfraldada.
A Voz de Gustavo Veiga e Alfredo Culleton
Gustavo Veiga, jornalista e professor da Universidade de Buenos Aires (UBA) e da Universidade Nacional de La Plata (UNLP), destacou seu trabalho sobre o governo de Javier Milei, recebendo o Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo em dezembro de 2024. Alfredo Culleton, doutor em Filosofia e professor visitante da Ufrgs, complementou a discussão com sua expertise em filosofia e direito, alertando sobre o potencial de manipulação da extrema direita através das redes sociais.
Conclusão: A Importância de Preservar a Memória
O painel sobre a ditadura argentina, com a participação de Gustavo Veiga e Alfredo Culleton, ressaltou a importância de preservar a memória dos eventos traumáticos para evitar que se repitam. A luta pela verdade e pela justiça continua sendo um imperativo para a sociedade, especialmente diante das tentativas de negacionismo e da manipulação da informação.
