
A necessidade de os povos indígenas disputarem ativamente o espaço da política institucional no Brasil tem crescido significativamente. As diversas etnias brasileiras estão desenvolvendo estratégias e reivindicações para impulsionar candidaturas nas eleições de 2026.
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Durante a plenária intitulada “Campanha Indígena: A resposta para transformar a política somos nós!”, foram abordados os principais desafios e caminhos para essa participação política crescente.
Um ponto central discutido foi o acesso e a distribuição de recursos do Fundo Eleitoral para as candidaturas indígenas. Um avanço importante ocorreu em fevereiro de 2024, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a distribuição dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral será proporcional ao número de candidatos indígenas apresentados pelos partidos.
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Essa regra, proposta pela deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), estabelece que, se um partido apresentar, por exemplo, 30% de seus candidatos como indígenas, esse grupo deve receber 30% dos recursos. Os partidos mantêm autonomia sobre como distribuir esses valores entre seus próprios candidatos indígenas.
Essa determinação também se estende à alocação do tempo de propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio. É importante notar que, por ter sido anunciada pouco antes do pleito de 2024, a medida será uma novidade crucial para a corrida eleitoral de 2026.
As lideranças indígenas apontam que os próprios partidos de esquerda, por vezes, limitam as candidaturas ao direcionar mais recursos para outros grupos, relegando as pautas dos povos originários. Assim, os partidos não se consolidaram como plataformas ideais para o acesso ao Fundo Eleitoral.
Outra preocupação levantada é que os partidos conservadores conseguiram incorporar alguns representantes, utilizando temas indígenas de maneira que atende aos interesses de setores da sociedade que não dialogam com as comunidades tradicionais.
A deputada federal Célia Xakriabá enfatizou a necessidade de questionar os projetos políticos por trás de cada candidatura. Ela questionou: “Precisamos criar estratégias de organização popular para disputar esse espaço que é ocupado por brancos.”
A deputada alertou que a extrema direita tem feito alianças políticas para apoiar candidaturas indígenas. Questionou ainda: “Tem propostas para as comunidades? De política pública? Para a educação indígena?”
Sonia Guajajara, ex-ministra dos Povos Indígenas e pré-candidata à Câmara dos Deputados, acredita que é possível aumentar a representação indígena após anos de articulação política das organizações. Ela afirmou que é preciso disputar não apenas a narrativa, mas também os espaços de decisão.
“Se faz necessário fazermos a disputa não só de narrativa, mas também política nos espaços de decisão. Precisamos eleger deputados estaduais pela primeira vez. Vamos aumentar a nossa representação para transformar a política e mudar a estrutura.
A resposta somos nós”, declarou.
Para fortalecer essa disputa, a Apib lançou em 2022 o projeto Aldear, visando ocupar o espaço político de forma quantitativa e qualitativa, defendendo as pautas no Legislativo e no Executivo.
Durante o evento, foram apresentados pré-candidatos para 2026. Neidinha Surui está indicada para o Senado, e Auricélia Arapiun será candidata a deputada estadual no Pará. Para a Câmara dos Deputados, as candidaturas têm como foco o fortalecimento das demarcações, a proteção dos direitos, o enfrentamento à violência e a garantia da participação política.
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Autor(a):
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.