Discursos de ódio online alimentam violência contra mulheres! Estupro coletivo no Rio expõe perigo. A misoginia estrutural se espalha e ativistas como Lola Aronovich são alvos constantes. Descubra como a “machosfera” e grupos extremistas como os “Chans” e “Incels” fomentam o ódio
Por décadas, comunidades online têm sido palco de discursos que promovem a desigualdade de gênero e o ódio direcionado às mulheres. Fóruns de internet, redes sociais e grupos de comunicação têm servido como terreno fértil para a disseminação de ideias que reforçam hierarquias de gênero e incitam a violência.
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O recente caso de estupro coletivo contra uma adolescente no Rio de Janeiro, por exemplo, demonstra a gravidade das consequências desses movimentos.
Especialistas classificam esses comportamentos como parte de um fenômeno estrutural chamado “misoginia”. Essa ideologia se manifesta como o ódio contra as mulheres e a defesa de privilégios históricos para homens, abrangendo aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos.
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Grupos misóginos operam com códigos de comunicação específicos, frequentemente utilizando a falsa equivalência do termo “misandria” para desviar o foco de suas ações.
A ativista e escritora Lola Aronovich tem sido alvo de ataques misóginos desde 2008, quando criou o blog “Escreva Lola Escreva”. Sua luta resultou na prisão de um dos agressores e na criação da “Polícia da Mulher”, uma iniciativa que busca investigar e responsabilizar autores de conteúdos misóginos na internet.
Aronovich acredita que esses agressores compartilham um perfil comum, marcado por preconceitos de extrema-direita e apoio a líderes como Bolsonaro e Trump. Ela descreve esses indivíduos como machistas, racistas, homofóbicos, gordofóbicos e xenófobos, evidenciando a complexidade do problema.
Dentro da “machosfera”, um termo que descreve essa rede de comunidades online, diversos grupos e termos são utilizados para reforçar a ideologia misógina. Entre eles, destacam-se os “Chans”, fóruns anônimos que promovem discursos extremistas, e os “Incel”, homens ressentidos que alegam não conseguir parceiras sexuais devido a preconceitos sociais.
Outros termos comuns incluem “redpill” e “MGTOW” (Men Going Their Own Way), que representam diferentes formas de rejeição aos relacionamentos e à sociedade moderna.
Dentro da “machosfera”, são estabelecidas hierarquias rígidas baseadas em características físicas e comportamentais. O “Chad” é o homem idealizado, com genética privilegiada e atratividade sexual, enquanto o “Alfa” representa o status que pode ser alcançado por esforço e mudança de mentalidade.
O “Beta” é o homem comum, frequentemente ridicularizado por sua submissão, e o “Sigma” é o homem solitário que foca em seu próprio sucesso. A “Stacy” é a contraparte feminina do Chad, representando a mulher de alto status social e beleza.
Além desses termos, grupos misóginos utilizam gírias ofensivas como “depósito” para se referir às mulheres e teorias pseudocientíficas como a “80/20” e a “hipergamia”. Termos pejorativos como “White Knight” e “Becky” são usados para desqualificar homens que defendem causas feministas e mulheres com características consideradas comuns.
A disseminação de discursos de ódio online contra as mulheres é um problema complexo e multifacetado, que exige uma resposta coordenada e abrangente. A luta contra a misoginia, impulsionada por ativistas como Lola Aronovich, é fundamental para garantir a segurança e o bem-estar das mulheres e para promover a igualdade de gênero na sociedade.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.