
O cineasta paraibano Diego Lima comemora quinze anos de carreira no audiovisual com a realização da mostra Panorama nesta quinta-feira, dia 9, em João Pessoa. O evento reunirá obras autorais, experimentações e produções que ainda estão em fase de finalização.
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A iniciativa vai além da exibição convencional, buscando criar um diálogo direto com o público. Há um foco em incorporar as percepções da audiência no próprio processo criativo dos filmes.
A mostra também visa movimentar discussões importantes sobre o acesso ao cinema, políticas públicas e a rica trajetória histórica da produção audiovisual na Paraíba. Diego Lima aponta que, embora o fazer cinematográfico tenha melhorado, a distribuição para o público ainda apresenta falhas em comparação com épocas passadas.
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Será exibido um conjunto de trabalhos que unem produções já consolidadas a projetos em desenvolvimento. Um dos pontos altos é o curta-metragem “Crua” (2019), que já teve passagens por festivais nacionais e internacionais.
Outra atração é “Caslito”, que aborda o direito à moradia através da rotina de vigilantes em uma creche abandonada. Ele será exibido como uma versão em construção, aberto ao diálogo com o público.
A programação conta com o filme em realidade virtual “A Escrita de Deus”, codirigido com Carlos Dowling. Esta obra propõe uma experiência imersiva de 360 graus, dialogando com a temática da colonização latino-americana.
Também estarão presentes os curtas “Atrito” (2017) e “Ígnea” (2021), enriquecendo a experiência audiovisual geral da mostra.
A mostra Panorama no Embarque 083 adota uma metodologia de exibição que enfatiza a escuta ativa do público, aproximando os espectadores do processo criativo. Segundo Lima, essa ideia surgiu em conversa com Fafá Dantas, produtora cultural do espaço.
Ele detalhou como a grade foi montada, mencionando o convite inicial para exibir “Crua” (2019) e, posteriormente, a discussão sobre “Calisto”, que está em fase de finalização de mixagem em estúdio 5.1 surround.
Ao expandir a proposta, a programação incluiu experimentações em novas linguagens, como a realidade virtual, criando uma perspectiva híbrida de narrativa. O filme de RV foi criado a partir de filmagens em uma caverna em Felipe Guerra (RN), capturadas em 6K em 360 graus.
Diego Lima reforça que o ponto central da mostra é justamente a escuta da audiência como parte criativa. Ele acredita que essa metodologia de grupo focal trará maior proximidade e ajudará a definir novos caminhos para os filmes em desenvolvimento.
Lima, formado em Comunicação Social pela Universidade Federal da Paraíba, vê a análise do cinema paraibano passando pela revisão de sua história. Ele conecta o desenvolvimento audiovisual local a processos políticos e históricos mais amplos.
Ele ressalta a importância de analisar a história desde 1920, citando o documentarista Walfredo Rodriguez e a filmagem da pesca de baleias-jubarte em Cabedelo. A preservação do acervo é crucial, pois há perdas históricas significativas.
O cineasta aponta que, embora a produção tenha avançado com o digital, a distribuição ainda é um gargalo. Ele critica o domínio de grandes empresas estrangeiras, que, por terem isenção de impostos, impactam a soberania nacional na produção de conteúdo.
Lima conclui que é fundamental que as políticas públicas se reformulem. É necessário que o acesso ao cinema seja diluído em locais diversos e democráticos, superando a concentração em espaços comerciais como shoppings.
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Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.