Desmatamento na Mata Atlântica atinge menor nível histórico desde 1985

Desmatamento na Mata Atlântica atinge menor nível desde 1985
Entre 2024 e 2025, o desmatamento na Mata Atlântica alcançou o menor índice já registrado desde o início do monitoramento pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1985. Os dados foram divulgados na quarta-feira (13).
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O novo Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica revela que a supressão de florestas maduras caiu 40% em comparação ao período anterior, passando de 14.366 hectares para 8.658 hectares. Este resultado marca um momento histórico para o bioma, pois é a primeira vez em quatro décadas que a devastação anual fica abaixo de 10 mil hectares.
O levantamento também indica uma tendência consistente de desaceleração do desmatamento nos últimos anos. Desde o ciclo de 2020-2021, quando o Atlas registrou 21.642 hectares desmatados, a redução acumulada chega a 60%. A perda registrada no último período equivale à destruição de 23,7 hectares de mata por dia e à emissão de aproximadamente 4,14 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) na atmosfera, conforme os parâmetros do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (Seeg).
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Marcos importantes para a preservação do bioma
Os dados fazem parte da 20ª edição do Atlas da Mata Atlântica, divulgada em um ano simbólico para a preservação do bioma. Em 2026, a Fundação SOS Mata Atlântica completa 40 anos de atuação, enquanto a Lei da Mata Atlântica, a primeira legislação brasileira voltada especificamente à proteção de um bioma, chega aos 20 anos de vigência.
O monitoramento realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Inpe teve início em 1985.
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O Atlas monitora os remanescentes florestais maduros da Mata Atlântica em 17 estados brasileiros abrangidos pela Lei nº 11.428/2006. O mapeamento utiliza imagens de satélite Sentinel-2 e considera fragmentos florestais acima de três hectares sem sinais aparentes de degradação.
Durante o período analisado, foi possível avaliar 99,6% dos 130,9 milhões de hectares da área de aplicação da lei; os 0,4% restantes tiveram análise parcial devido à cobertura de nuvens nas imagens de satélite.
Redução do desmatamento em diversos estados
A redução do desmatamento ocorreu de forma ampla no bioma. Dos 17 estados monitorados, 13 apresentaram queda nas áreas desmatadas em comparação ao período anterior. As maiores reduções proporcionais foram registradas no Piauí, com uma diminuição de 78%, e na Bahia, com recuo de 39%.
Apesar da redução, Minas Gerais e Bahia continuam liderando o ranking de perda florestal. Minas Gerais registrou 3.092 hectares desmatados entre 2024 e 2025, um aumento de 13% em relação ao ciclo anterior, enquanto a Bahia contabilizou 2.889 hectares de supressão.
Mato Grosso do Sul aparece na sequência, com 841 hectares, seguido por Piauí, com 659 hectares, e Paraná, com 411 hectares. Juntos, esses cinco estados concentraram 91% de toda a devastação registrada no período. O relatório também destaca que apenas quatro estados tiveram crescimento do desmatamento no último ciclo: Pernambuco, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina.
Pernambuco registrou a maior alta proporcional, de 107%, passando de 132 hectares para 273 hectares desmatados.
Municípios com maior desmatamento e áreas afetadas
Entre os municípios com as maiores áreas desmatadas, Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, lidera o ranking nacional, com 535 hectares devastados. Na sequência, estão São João do Paraíso, em Minas Gerais, com 389 hectares; Santa Rita de Cássia, na Bahia, com 371 hectares; e São Félix do Coribe, também na Bahia, com 279 hectares.
Os dados do Atlas indicam que 70% das perdas ocorreram em propriedades privadas e apenas 1% em áreas protegidas.
Além da redução do desmatamento em florestas maduras, outro sistema de monitoramento, o Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, também registrou melhora nos indicadores. O SAD apontou uma queda de 28% na área total desmatada em 2025, passando de 53.303 hectares para 38.385 hectares.
Este sistema, desenvolvido pela SOS Mata Atlântica, MapBiomas e Arcplan desde 2022, monitora áreas menores, a partir de 0,3 hectare.
Fatores que influenciam os resultados e preocupações futuras
Os pesquisadores responsáveis pelo monitoramento afirmam que os resultados refletem a combinação de pressão pública, fortalecimento da fiscalização ambiental e aplicação de instrumentos de controle. O relatório menciona como fatores importantes medidas como a Operação Mata Atlântica em Pé, os embargos remotos e a restrição de crédito rural para áreas desmatadas ilegalmente. “Políticas públicas e instrumentos de controle ambiental funcionam quando são aplicados com seriedade”, afirmou Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da Fundação SOS Mata Atlântica.
Apesar do resultado considerado histórico, o relatório alerta sobre ameaças persistentes à Mata Atlântica, como o avanço da destruição de restingas no litoral brasileiro. Em 2025, foram perdidos 457 hectares desse ecossistema, com o Ceará concentrando a maior parte das ocorrências.
As entidades responsáveis pelo estudo também expressaram preocupação com mudanças recentes na legislação ambiental aprovadas pelo Congresso Nacional, que podem enfraquecer mecanismos de controle.
Atualmente, cerca de 24% da cobertura original da Mata Atlântica ainda permanece preservada. Desse total, pouco mais da metade corresponde às florestas maduras monitoradas pelo Atlas, o que equivale a aproximadamente 12,4% da área. O desafio agora é manter a trajetória de queda e alcançar a meta de desmatamento zero até 2030, um objetivo considerado estratégico para a segurança hídrica, a estabilidade climática e a produtividade agrícola do país.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



