Estudo do Ipam revela que o desmatamento entre o Cerrado e a Amazônia aumenta o risco de enchentes e reduz a água na seca. Descubra os detalhes alarmantes!
Um novo estudo, divulgado na última sexta-feira (20), revela que o desmatamento na área de transição entre o Cerrado e a Amazônia está afetando diretamente a dinâmica da água. Isso resulta em um aumento do risco de enchentes durante a estação chuvosa e em uma diminuição da disponibilidade hídrica na seca.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A pesquisa, realizada pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), intitulada “Impactos hidrológicos do desmatamento na dinâmica de fluxo de pequenas bacias hidrográficas na região de transição Cerrado-Amazônia”, analisou como diferentes níveis de cobertura vegetal influenciam o fluxo dos rios.
O estudo abrangeu oito pequenas bacias hidrográficas no leste de Mato Grosso ao longo de três anos, considerando as variações de relevo e cobertura vegetal nativa.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Os dados indicam que as bacias mais desmatadas apresentaram um aumento consistente no volume de água escoada, tanto anualmente quanto diariamente. Além disso, foram observados picos mais intensos de vazão durante chuvas fortes, o que sugere um maior risco de enchentes e mudanças rápidas no comportamento dos cursos d’água.
Os pesquisadores explicam que o desmatamento quebra o equilíbrio natural do ciclo hidrológico, reduzindo processos como evapotranspiração e infiltração da água no solo. A conversão da vegetação nativa em pastagens ou lavouras diminui a capacidade da paisagem de reter água, favorecendo o escoamento superficial.
Como resultado, bacias com maior desmatamento podem ter até o dobro do fluxo anual de água em comparação com áreas mais preservadas. No entanto, essa situação se inverte na estação seca, onde a vazão em bacias desmatadas representa apenas 10% do fluxo anual, enquanto em áreas conservadas, cerca de 30% do fluxo é mantido, mesmo em anos com menos chuvas.
Leonardo Maracahipes-Santos, pesquisador do IPAM, destaca que os resultados reforçam a importância do planejamento do uso da terra. O estudo sugere que a manutenção de pelo menos 50% da vegetação nativa, especialmente em regiões mais inclinadas, pode ajudar a estabilizar a disponibilidade de água ao longo do ano, reduzindo extremos na estação chuvosa e sustentando o fluxo na seca.
Os autores enfatizam que a combinação entre produção agropecuária e conservação estratégica é essencial para garantir a segurança hídrica e a produtividade a longo prazo.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.