Deslizamento destrói Porto de Gyirong, e destino de vítimas segue desconhecido

Equipes de emergência enfrentam lama, rochas e risco de novos deslizamentos enquanto tentam avançar nas buscas em terreno instável.

06/09/2026 12:31

4 min

Local onde ficava o porto de Gyirong na China, antes de ser destruído por enchentes repentinas
Local onde ficava o porto de Gyirong na China, antes de ser dest...

O Porto de Gyirong foi destruído por um deslizamento de terra e uma inundação repentina, e equipes de emergência ainda procuram vítimas entre rochas, lama e cascalho. A área foi visitada neste domingo (6) por uma equipe da CNN, em uma viagem organizada pelo governo.

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Antes da tragédia, o ponto de fronteira recebia turistas e comerciantes que circulavam entre a China e o Nepal. Centenas de pessoas passavam diariamente pelo local, que ficava diante do porto nepalês de Rasuwa, do outro lado do rio.

Porto de Gyirong ficou sob lama e escombros

O desastre ocorreu em 26 de agosto. O Porto de Gyirong foi o primeiro ponto atingido pelo deslizamento e pela inundação, que depois avançaram em direção ao Nepal. A estrutura de controle de fronteira, um prédio de cinco andares, acabou completamente demolida.

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Restaram apenas partes das fundações. “Depois que começamos a escavar, tudo o que conseguimos ver foi a fundação que restou”, disse à CNN o socorrista Zhang Xiaojun. Segundo ele, as estruturas acima do solo foram levadas pela lama.

“Foi realmente de partir o coração. Muitos de nossos compatriotas chineses perderam suas vidas preciosas nesta tragédia”, afirmou Zhang. O local também tinha agências de viagens, um supermercado e uma ponte. Tudo foi soterrado pela massa de água, lama e pedras.

Durante a visita, o ar estava tomado por poeira e neblina. Veículos de resgate ocupavam a área, enquanto autoridades organizavam o trânsito. A estrada destruída recebeu uma camada de cascalho para permitir a passagem, e um memorial com cerca de 100 flores amarelas foi montado em homenagem às vítimas.

Resgate enfrenta terreno instável e acesso difícil

As equipes ainda trabalham sob risco de novos deslizamentos. Yang Qiqiao, comandante da equipe de operação em solo, atua na região desde 28 de agosto, dois dias depois do desastre. “Primeiro, há muita lama e sedimentos. Há também muitas rochas grandes, e estamos enfrentando alguns riscos secundários”, disse à CNN.

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“A geologia da região não é muito estável”, afirmou Yang. De acordo com ele, os socorristas precisaram chegar a pé à área central porque a enxurrada destruiu a estrada. O caminho incluiu travessias pelas montanhas até a parte mais atingida.

As vias de acesso só foram liberadas na quarta – feira (2), sete dias depois da tragédia. A partir daí, equipes e maquinário pesado puderam entrar na região. Antes disso, grupos menores chegaram a pé, de barco ou por aeronave.

A equipe da CNN levou cerca de oito horas para percorrer, de carro, o trajeto feito no sábado (5), passando por altitudes de quase quatro mil metros. O percurso entre Dingri, onde fica o aeroporto mais próximo, e o porto exigiu outras seis horas. O trecho final tem uma estrada estreita de duas faixas, com curvas fechadas e áreas cobertas por pinheiros.

Nos últimos 11 dias, as buscas foram atrasadas ou interrompidas pelo risco de novos desastres. Entre as ameaças estavam deslizamentos de terra e o rompimento de lagos de barreira formados quando lama e detritos bloquearam partes de um rio próximo. Chuvas fortes e o relevo montanhoso também dificultaram o acesso por via aérea.

China confirma mortes e desaparecidos

A atualização mais recente divulgada pela China no domingo, a primeira em quase dois dias, apontou 43 mortes confirmadas e 519 pessoas desaparecidas do seu lado da fronteira. Ren Wei, vice – presidente executivo da Região Autônoma do Tibete, informou a repórteres que cerca de 261 estavam entre os desaparecidos.

As autoridades chinesas não divulgaram publicamente os nomes das pessoas que estavam no porto ou que podem ter permanecido na área no momento da tragédia. A falta de informações provocou questionamentos sobre transparência, especialmente entre famílias que aguardam notícias de parentes desaparecidos.

Pequim afirmou que a divulgação de dados sobre a região remota ocorreu de forma aberta e oportuna. A visita deste domingo reuniu cerca de uma dúzia de repórteres de veículos internacionais, incluindo a CNN, em uma agenda organizada pelo Ministério das Relações Exteriores da China e pelo Escritório de Informação do Conselho de Estado.

Mais de mil mortes foram confirmadas e milhares de pessoas continuam desaparecidas após a catástrofe, segundo autoridades de ambos os países. Enquanto as equipes escavam o terreno, a prioridade é localizar vítimas e esclarecer o que aconteceu com as pessoas que estavam no Porto de Gyirong naquela manhã.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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