Desigualdade Social Aumenta Risco de Morte por Câncer em Campinas, Revela Estudo

Desigualdade no Risco de Câncer entre Classes Sociais
Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Estadual de Campinas revelou que indivíduos de baixa renda apresentam um risco elevado de morte por câncer, mesmo com um número menor de diagnósticos da doença. O estudo, que analisou dados de Campinas, no interior de São Paulo, entre 2010 e 2019, destacou desigualdades significativas entre os habitantes de áreas mais ricas e aquelas socialmente vulneráveis.
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Os pesquisadores examinaram informações do Registro de Câncer de Base Populacional e do Sistema de Informações sobre Mortalidade da cidade. Foram analisados os principais tipos de câncer que afetam homens e mulheres, incluindo mama, pulmão, estômago, colo do útero e colorretal.
Os resultados indicaram que moradores de regiões mais pobres frequentemente apresentavam menos casos diagnosticados de câncer, mas enfrentavam taxas de mortalidade mais elevadas.
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Acesso ao Diagnóstico e Tratamento
De acordo com os cientistas, essa situação pode refletir dificuldades no acesso ao diagnóstico precoce, exames preventivos e tratamentos adequados. Eles explicam que pessoas em situação de vulnerabilidade social muitas vezes descobrem a doença em estágios mais avançados, o que compromete as chances de cura.
Além disso, fatores como a demora no atendimento, a dificuldade de acesso a especialistas e as desigualdades na qualidade do tratamento podem elevar o risco de morte.
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Entre os homens, a mortalidade foi mais acentuada entre os mais pobres nos casos de câncer de próstata, estômago e cavidade oral. No caso do câncer de próstata, a desigualdade aumentou com o tempo, sugerindo que homens vulneráveis continuam a enfrentar obstáculos significativos para obter diagnóstico e tratamento de forma rápida.
Incidência e Mortalidade entre Mulheres
Para as mulheres, os dados mostraram uma maior incidência e mortalidade nas regiões mais vulneráveis. Os cientistas ressaltaram que esse tipo de câncer está intimamente relacionado às desigualdades sociais e à falta de acesso regular a exames preventivos, como o Papanicolau.
O estudo também registrou um aumento nos casos de câncer de mama entre mulheres de classes sociais menos vulneráveis, possivelmente devido ao maior acesso a exames e diagnósticos precoces entre aquelas com melhores condições financeiras.
Outro aspecto relevante foi o crescimento da mortalidade por câncer colorretal, especialmente entre grupos mais pobres ao longo dos anos. Os pesquisadores afirmam que isso pode indicar uma mudança no perfil da doença e um impacto maior sobre as populações vulneráveis.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



