Desemprego nos EUA atinge níveis alarmantes, com pessimismo crescente entre trabalhadores. Pesquisa revela queda nas chances de emprego e aumento da incerteza.
Uma nova pesquisa divulgada nesta quinta-feira (8) revela que os americanos estão cada vez mais pessimistas em relação ao mercado de trabalho. A chance de conseguir um emprego caiu para 43,1% em dezembro, o menor índice já registrado, segundo a Pesquisa de Expectativas do Consumidor do Federal Reserve de Nova York, realizada desde 2013.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Além disso, a pesquisa indicou que a expectativa de perder o emprego aumentou, atingindo a maior média desde abril de 2025. Por outro lado, a probabilidade de pedir demissão voluntária caiu para o nível mais baixo desde julho de 2023. Nos últimos meses, a atividade de contratação nos Estados Unidos despencou, refletindo uma situação semelhante à de recessão.
Economistas atribuem essa situação à alta incerteza, em parte provocada por mudanças nas políticas comerciais e de imigração, que têm paralisado investimentos empresariais. O mercado de trabalho estagnou, resultando em baixas contratações e demissões, enquanto o desemprego de longa duração aumentou e o crescimento salarial desacelerou, exacerbando a desigualdade econômica.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Na sexta-feira (9), às 10h30 (horário de Brasília), o Departamento de Estatísticas do Trabalho divulgará dados atualizados sobre o mercado de trabalho. As previsões dos economistas variam bastante, com alguns apontando para a criação de 55.000 vagas em dezembro, um número que se alinha ao crescimento do ano, mas inferior aos 64.000 postos de trabalho criados em novembro.
Alguns economistas acreditam que fatores sazonais, como o aumento de contratações durante as festas de fim de ano, podem elevar o total mensal de dezembro para mais de 105.000 vagas. Apesar disso, a taxa de desemprego deve cair para 4,5%, segundo estimativas da FactSet.
Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, alerta que o verdadeiro crescimento do emprego pode ser muito mais fraco do que os números sugerem.
Independentemente do número de vagas criadas, os dados de 2025 mostram um crescimento de emprego fraco, o mais baixo em décadas, exceto em 2020, ano marcado pela pandemia. Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, prevê que o total de vagas criadas em 2025 será de apenas 710.000, a pior taxa fora de uma recessão desde 2003.
Nos últimos 12 meses, a incerteza gerada por políticas abrangentes e mudanças nos fluxos migratórios resultou em ganhos de emprego moderados ou até perdas em muitos setores. As exceções foram saúde e lazer, que se beneficiaram de uma economia fragmentada.
Nela Richardson, economista-chefe da ADP, destaca que esses setores refletem uma economia em formato de K, onde os consumidores de renda mais alta impulsionam os gastos.
Esses dois setores, que representam cerca de 22% do emprego total, foram responsáveis por 84% das vagas criadas entre janeiro e novembro de 2025. Após abril de 2025, quando o presidente Donald Trump anunciou tarifas abrangentes, o otimismo caiu e a incerteza aumentou, sufocando os planos de contratação.
Dados recentes confirmam a apatia do mercado de trabalho. As empresas americanas buscaram menos trabalhadores em novembro, e a atividade de contratação caiu para o menor nível em mais de uma década. Embora a rotatividade seja necessária para um mercado saudável, atualmente, muitos estão levando meses para encontrar emprego.
Os anúncios de demissões caíram para o menor nível em 17 meses em dezembro, com 35.553 demissões planejadas. Além disso, os pedidos de auxílio-desemprego mostraram um aumento moderado, mas a média móvel de quatro semanas permanece no nível mais baixo em mais de um ano.
O relatório de empregos de dezembro deve oferecer uma visão mais clara do estado do mercado de trabalho, após a paralisação governamental que afetou os dados de outubro e novembro. Oren Klachkin, economista da Nationwide, ressalta que os números de dezembro devem fornecer uma noção mais precisa da economia do que os dados anteriores.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.