Desconfiança no STF atinge 56% e supera recorde histórico, diz Quaest
Pesquisa Quaest aponta que 86% dos brasileiros têm avaliação negativa ou moderada sobre a corte.
Uma pesquisa da Quaest divulgada nesta segunda – feira (14) mostra que a desconfiança no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu o maior nível da série histórica. De acordo com o levantamento, 56% dos brasileiros afirmam não confiar na corte, contra 46% registrados em agosto — uma diferença de dez pontos percentuais em apenas um mês.
O diretor de Inteligência da Quaest, Guilherme Russo, atribuiu a alta à repercussão de casos recentes. “Essa mudança de mais de 10 pontos mostra como o caso que está acontecendo agora tem esse efeito muito forte na confiança”, afirmou Russo, em entrevista ao Hora H.
Baixa confiança atinge 86% dos entrevistados
Além dos 56% que disseram não confiar, outros 30% afirmaram confiar pouco no STF. Somadas, as duas categorias representam 86% dos entrevistados com avaliação negativa ou moderada sobre a corte. Apenas 9% declararam confiar muito, enquanto 5% não souberam ou preferiram não responder.
A pesquisa também questionou os brasileiros sobre a conduta de dois ministros específicos: 37% apontaram André Mendonça como o que age de forma correta, contra 16% que indicaram Alexandre de Moraes. Outros 20% disseram que nenhum dos dois age corretamente, e 25% não souberam responder.
Corrupção volta a liderar preocupações nacionais
Outro dado que chamou a atenção na pesquisa é a percepção da população sobre os problemas do país. Segundo Guilherme Russo, a corrupção voltou a ser vista como o principal desafio nacional. “O brasileiro está começando a olhar para a corrupção como o principal problema do país.
Isso é uma mudança muito relevante”, disse ele. A violência, que vinha ocupando o topo das preocupações há vários meses, perdeu espaço, assim como a economia, que também aparecia entre os temas centrais em períodos anteriores.
Russo avalia que, apesar do cenário de desconfiança no STF, os números eleitorais ainda não sofreram grandes abalos. Dois fatores explicam essa estabilidade: a forte polarização política e a dificuldade do eleitor médio em atribuir culpa a um único lado. “A gente pergunta para os brasileiros quem é o mais culpado nessa história toda, e 40% dizem que todos, não tem um só”, explicou.
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Eleitores de esquerda seguem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto os de direita mantêm preferência pelo senador Flávio Bolsonaro (PL – RJ). O eleitor do centro começa a ser impactado, mas ainda de forma pouco expressiva. O principal efeito eleitoral identificado até agora, segundo Russo, é animar a direita, especialmente pela associação de pautas.
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 eleitores de todo o país entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi contratado pelo Grupo Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE.