Desaparecimento de carros acessíveis nos EUA: em 2026, opções abaixo de US$ 20.000 sumiram, enquanto preços médios superam US$ 50.000. Entenda a crise!
Em 2024, os consumidores nos Estados Unidos contavam com três opções de veículos abaixo de US$ 20.000. Atualmente, essa realidade não existe mais. Dados divulgados na segunda-feira (12) revelam que a ausência de modelos mais acessíveis impacta negativamente os compradores.
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Em dezembro, o preço médio de um carro novo alcançou US$ 50.326, um recorde histórico, segundo a Kelley Blue Book, uma marca da Cox Automotive. O site Edmunds também registrou um preço médio elevado de US$ 49.466.
Essas estimativas mostram que muitos consumidores estão pagando mais de US$ 50.000 por um carro novo, e essa tendência deve persistir. O aumento do preço médio não é apenas resultado dos altos valores de tabela das montadoras, mas também da escassez de opções mais baratas.
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O Nissan Versa, que foi lançado há quase 20 anos com um preço inicial de aproximadamente US$ 12.550, teve sua produção encerrada em dezembro.
A diminuição das opções acessíveis pode tornar a compra de um carro inviável para muitos americanos, evidenciando a crise de acessibilidade que afeta a população. O crescimento nas vendas de veículos de luxo destaca a desigualdade econômica.
Ivan Drury, diretor de insights da Edmunds.com, comentou que, com a escassez de veículos de entrada, praticamente todos os carros novos em circulação são considerados “compras de luxo”.
As preocupações sobre a acessibilidade no mercado automotivo surgiram durante a pandemia, quando os preços dispararam devido a problemas na cadeia de suprimentos. Erin Keating, analista da Cox Automotive, destacou que a pandemia alterou fundamentalmente a dinâmica de preços, estabelecendo novos patamares que agora são considerados normais.
O Nissan Versa 2025, que custava cerca de US$ 18.000 em outubro, foi o último modelo abaixo de US$ 20.000. O Mitsubishi Mirage, que saiu de linha em agosto de 2024, e o Kia Forte, substituído pelo mais caro K4, também eram opções acessíveis. Esses veículos eram, em grande parte, fabricados no exterior, onde os custos de produção são menores.
As tarifas de 25% impostas pelo ex-presidente Donald Trump sobre carros e peças importadas aumentaram os custos para as montadoras. Muitas empresas absorveram esses custos adicionais para evitar que os consumidores adiassem suas compras. Os modelos mais baratos, que já tinham margens de lucro reduzidas, foram os mais afetados.
As concessionárias estão preocupadas com a exclusão de consumidores de baixa renda, enquanto um grupo de compradores mais abastados sustenta as vendas. Aqueles que não conseguem adquirir carros novos estão optando por veículos usados ou prolongando a vida útil de seus automóveis atuais.
Uma análise da Cox Automotive revelou que as famílias com renda anual abaixo de US$ 75.000 representaram apenas 26% das vendas no ano passado, em comparação com 37% em 2019.
Por outro lado, compradores com renda superior a US$ 150.000 agora representam mais de 40% das vendas de carros novos. Essa mudança reflete a crescente desigualdade econômica nos Estados Unidos, onde os ricos continuam a gastar, enquanto famílias de renda média e baixa enfrentam dificuldades financeiras.
Os consumidores estão cada vez mais preocupados com o valor das parcelas mensais. Tyson Jominy, da J.D. Power, observou que uma parcela mensal de US$ 500, que antes era suficiente para um SUV, agora só permite a compra de um carro compacto. Espera-se que os preços dos carros diminuam em média US$ 500 em 2026, o que pode trazer um alívio para os consumidores.
À medida que as montadoras competem por uma fatia menor do mercado, é provável que ofereçam mais incentivos para carros novos, buscando atrair consumidores que consideram veículos usados. Drury acredita que esses incentivos podem beneficiar o mercado de usados, oferecendo alternativas para aqueles que estão desanimados com os preços atuais.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.