Desafios no Estreito de Ormuz revelam a vulnerabilidade das rotas marítimas. Conheça as ameaças e as possíveis medidas de proteção em meio à tensão!
O Estreito de Ormuz é uma região marítima com dificuldades de defesa. As rotas de navegação possuem apenas duas milhas náuticas de largura (3,74 km), obrigando os navios a contornarem as ilhas do Irã e uma costa montanhosa, que oferece abrigo às forças iranianas, conforme informações da corretora de transporte marítimo SSY Global.
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Embora a marinha convencional do Irã tenha sido amplamente destruída, a Guarda Revolucionária Islâmica ainda mantém um arsenal significativo de armamentos que podem causar danos, incluindo lanchas de ataque rápido, embarcações não tripuladas, minissubmarinos, minas e jet-skis carregados de explosivos, conforme destacou Tom Sharpe, comandante aposentado da Marinha Real Britânica.
Para garantir a segurança na região, seriam necessários cerca de oito destroieres, o que dependeria de uma diminuição no risco de ataques por minissubmarinos. No entanto, o custo dessa operação seria elevado, exigindo mais recursos, segundo Sharpe.
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Mesmo que a capacidade do Irã de lançar mísseis balísticos, drones e minas flutuantes fosse neutralizada, os navios ainda estariam expostos à ameaça de operações suicidas, conforme afirmou Adel Bakawan, diretor do Instituto Europeu de Estudos do Oriente Médio e Norte da África.
De acordo com o Centro para a Resiliência da Informação, se o conflito se estender por semanas, algum tipo de escolta será organizada, conforme mencionou Kevin Rowlands, editor do RUSI Journal, do Royal United Services Institute. “O mundo precisa que o petróleo flua pelo Golfo, e por isso estão sendo elaborados planos para implementar medidas de proteção”, acrescentou.
Rowlands também observou que os constantes ataques do Irã a países vizinhos criam incertezas para as empresas que transportam mercadorias pela região. “Para um operador de transporte ou capitão de navio na área, será complicado entender a situação e decidir se deve prosseguir ou permanecer onde está”, afirmou.
O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que diversos países europeus, a Índia e outras nações asiáticas estão planejando uma missão conjunta para garantir proteção, mas enfatizou que essa operação só poderá ser realizada após o término do conflito.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, discutiu com os primeiros-ministros da Alemanha, Friedrich Merz, e da Itália, Giorgia Meloni, sobre possíveis formas de apoio à navegação comercial no estreito.
No que diz respeito aos Estados Unidos, a situação é incerta. O presidente Donald mencionou a necessidade de ações, mas não detalhou como isso seria implementado. Ele também afirmou ter dado instruções à Corporação Financeira de Desenvolvimento.
Rowlands explicou que a escolta poderia ser realizada por diferentes meios, incluindo vigilância por satélite e aérea, além de aeronaves de patrulha, tanto tripuladas quanto não tripuladas, ou navios de superfície que poderiam oferecer uma visão abrangente da região.
Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita têm buscado alternativas para contornar o estreito, como a construção de novos oleodutos. Contudo, essas opções ainda não estão em operação, e um ataque a um gasoduto saudita pela milícia Houthi em 2019 evidenciou a vulnerabilidade dessas alternativas.
O Estreito de Ormuz é a única saída marítima para países produtores de petróleo e gás, como Kuwait, Irã, Iraque, Catar e Emirados Árabes Unidos.
Os preços do petróleo subiram temporariamente para os níveis mais altos desde 2022. Segundo a ONU, esses altos preços podem desencadear uma nova crise do custo de vida, semelhante àquela que ocorreu após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Um conflito prolongado também pode impactar os preços dos fertilizantes, ameaçando a segurança alimentar global. Aproximadamente 33% dos fertilizantes do mundo, incluindo enxofre e amônia, transitam pelo Estreito, conforme análise da empresa Kpler.
Esse cenário pode intensificar os temores de uma crise econômica global, similar às que se seguiram aos choques do petróleo no Oriente Médio na década de 1970.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.