Desafios e Avanços nas Negociações entre EUA e Irã: O Que Esperar a Seguir?

As negociações entre EUA e Irã avançam, mas desafios persistem. Donald Trump afirma progresso, enquanto divergências sobre sanções e programa nuclear complicam

2025-07-24T122646Z_1_LYNXMPEL6N0SJ_RTROPTP_4_IRAN-NUCLEAR-1

Avanços e Desafios nas Negociações entre EUA e Irã

As negociações entre os Estados Unidos e o Irã estão em andamento, mas ainda enfrentam desafios significativos. O presidente americano, Donald Trump, declarou que as conversas “progridem bem” em direção a um acordo, mas analistas e a própria dinâmica das negociações indicam um cenário repleto de divergências e incertezas.

De acordo com Kevin Liptek, repórter da CNN na Casa Branca, embora um memorando de entendimento tenha parecido iminente no último fim de semana, as duas partes permanecem em impasse quanto à redação do texto final.

A presença de uma delegação iraniana no Catar gerou esperanças de que os mediadores pudessem facilitar o desbloqueio das negociações. Contudo, a expectativa, pelo lado americano, é de que o processo ainda leve alguns dias. Um dos principais pontos de impasse é o programa nuclear iraniano.

Os EUA afirmam que o Irã concordou, em princípio, em abrir mão de seu estoque de urânio altamente enriquecido, mas ainda há questões a serem definidas.

Divergências sobre Sanções e Programa Nuclear

Teerã exige mais clareza sobre quais sanções Washington está disposto a levantar e quais ativos pretende descongelar. Em resposta, autoridades americanas enfatizam que qualquer alívio financeiro só ocorrerá após avanços concretos nas questões nucleares, resumindo a posição com a frase: “”.

O analista sênior de internacional da CNN, Américo Martins, destacou que, segundo informações dos EUA, nunca se esteve tão próximo de um acordo entre os dois países.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, em viagem pela Índia, expressou acreditar que a questão se resume a ajustes de linguagem no texto, embora tenha alertado que o processo poderia ser demorado. As ações dos EUA em relação às instalações militares iranianas próximas ao Estreito de Ormuz foram justificadas como defensivas, em resposta a movimentações iranianas que representariam risco às embarcações e soldados americanos na região.

Leia também

A Nova Ordem no Oriente Médio

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, que não se manifestou publicamente desde o início das hostilidades, divulgou uma declaração escrita afirmando que uma nova ordem está surgindo no Oriente Médio com o declínio da influência americana na região.

Khamenei mencionou que outros países “”. O professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin, acrescentou que os ataques dos EUA e de Israel não conseguiram limitar o poder iraniano, que continua a projetar influência ao controlar o fluxo de cerca de 20% do petróleo mundial.

O analista de Internacional da CNN, Lourival Sant’Anna, observou que nenhum dos principais objetivos declarados da guerra foi alcançado. O arsenal de mísseis convencionais do Irã permanece intacto, assim como as relações do país com seus aliados regionais.

Segundo o analista, o Irã está em uma posição de pressão sobre a economia global, o que coloca Trump em um dilema: ceder às condições iranianas para encerrar o conflito ou manter a pressão militar.

Pressões Regionais e Acordos de Normalização

Trump também tem pressionado países do Golfo, como Arábia Saudita e Catar, a aderirem aos Acordos de Abraão, que visam a normalização das relações entre nações árabes e Israel. No entanto, a Arábia Saudita deixou claro que não pretende assinar qualquer acordo sem um caminho irreversível para a criação de um Estado palestino, condição que atualmente não parece ser atendida.

Brustolin ressaltou que essa exigência de Trump é considerada inviável, especialmente após a destruição na Faixa de Gaza, tornando politicamente impossível para os países muçulmanos da região normalizarem relações com Israel neste momento.