A maternidade na Ucrânia enfrenta desafios sem precedentes devido à guerra. Olena Bilozerska luta contra a infertilidade em meio ao conflito. Descubra sua história!
Olena Bilozerska e seu marido sempre sonharam em ter filhos. Quando a guerra começou no leste da Ucrânia em 2014, com a invasão da Crimeia, o casal decidiu adiar esse desejo e se alistar no combate. Após deixar o Exército aos 41 anos, Bilozerska recebeu a notícia de que suas chances de engravidar eram praticamente nulas.
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Com a guerra completando quatro anos, a taxa de natalidade na Ucrânia despencou, refletindo um aumento nos problemas de fertilidade e na decisão de adiar a maternidade. Além disso, as perdas nas linhas de frente aumentaram, e milhões de ucranianos se tornaram refugiados, resultando em uma grave crise demográfica.
A demógrafa Ella Libanova destacou a situação, afirmando que a Ucrânia perdeu uma parte significativa de sua população desde o início do conflito.
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A invasão russa forçou milhões de ucranianos a reavaliar suas vidas. Para muitas mulheres, essa mudança traz um custo emocional elevado. Bilozerska, ao retornar da linha de frente, foi informada de que suas chances de ter um filho biológico eram de apenas 5%.
Apesar de hesitar, ela começou o tratamento de fertilidade, ciente das dificuldades.
Os médicos tentam coletar entre 10 e 15 óvulos por ciclo, mas Bilozerska obteve apenas um. Após a fertilização, as chances de sucesso eram baixas. Quando o embrião foi congelado, a invasão em grande escala da Rússia começou, e Bilozerska foi chamada de volta ao combate, deixando seu embrião armazenado em Kiev.
Valery Zukin, diretor da clínica de medicina reprodutiva Nadiya, onde o embrião de Bilozerska está armazenado, afirmou que a guerra impactou severamente as taxas de fertilidade. Ele observou um aumento nas complicações e anomalias cromossômicas em embriões, além de uma queda na qualidade dos óvulos e espermatozoides, especialmente entre aqueles que retornam da linha de frente.
A Dra. Alla Baranenko, também da clínica Nadiya, notou um aumento nos casos de menopausa precoce entre mulheres jovens. Ela explicou que o estresse da guerra afeta a saúde reprodutiva, não apenas das pacientes, mas também das doadoras de óvulos.
Iryna Ivanova, que estava grávida, perdeu seu marido, Pavlo Ivanov, em combate em abril de 2025. Quando sua filha nasceu, ela a nomeou Yustyna, um nome que o casal havia escolhido. Ivanova descreveu a alegria e a dor que sente, reconhecendo que a vida continua mesmo em meio à tragédia.
Estudos indicam que entre 100 mil e 140 mil ucranianos foram mortos desde o início da invasão. A maioria das vítimas são homens casados, resultando em um aumento no número de viúvas e órfãos no país. Atualmente, cerca de 59 mil crianças vivem sem seus pais biológicos na Ucrânia.
Oksana Borkun, que perdeu seu marido em 2022, se uniu a outras viúvas para ajudar a melhorar a vida das mulheres em situações semelhantes. Elas criaram um grupo de apoio online que já conta com mais de 6 mil membros, promovendo encontros e eventos para fortalecer a comunidade.
As viúvas, como Borkun, estão determinadas a ajudar outras mulheres a superar a dor da perda. Elas organizam iniciativas, como a entrega de presentes de aniversário para filhos de soldados falecidos, buscando trazer um pouco de alegria em meio à tristeza.
Com a guerra forçando milhões a deixar o país, a Ucrânia enfrenta uma fuga de cérebros. Libanova alertou que quanto mais tempo o conflito durar, menores serão as chances de retorno dos refugiados. A reconstrução do país exigirá trabalhadores qualificados, e as viúvas podem desempenhar um papel crucial nesse processo.
Seliutina enfatizou que as mulheres que perderam seus entes queridos têm uma compreensão profunda do custo da guerra e estão prontas para agir. Elas não podem mais esperar que outros tomem a iniciativa; é hora de se mobilizar e garantir um futuro melhor para a Ucrânia.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.