Derrota de Novak Djokovic no US Open pode marcar começo do fim aos 39 anos

Problemas físicos agravados pelo calor e pela umidade reacendem dúvidas sobre a continuidade de Djokovic.

Djokovic chorou ao receber atendimento por dores nas costas no US Open

A derrota de Novak Djokovic no US Open, no último domingo (30), expôs um momento de fragilidade raro na carreira do sérvio. Aos 39 anos, o tetracampeão de 24 títulos de Grand Slam terminou a partida com dificuldades para se movimentar, vomitando entre os pontos e chorando no set final.

O resultado foi o pior de Djokovic em Grand Slams em 20 anos. Mais do que uma eliminação, a atuação levantou dúvidas sobre a capacidade do tenista de continuar sustentando o nível necessário para enfrentar a nova geração do circuito.

Problemas físicos marcaram derrota no US Open

Os sinais apareceram durante o jogo. Os passos de Djokovic já não pareciam firmes, o corpo estava enrijecido e, no fim, ele mal conseguia se movimentar. As costas cederam, o ombro também, e as cãibras aumentaram a dificuldade.

“Eu não me diverti”, disse Djokovic. O sérvio também afirmou: “Acho que ficou óbvio que foi uma sensação horrível em quadra para mim.”

Djokovic contou que enfrenta um problema de saúde subjacente, agravado por calor e umidade. “É algo que venho carregando, infelizmente, em praticamente todas as partidas neste ano: vômito, ânsias, um problema sério ali”, completou.

Depois, ele descreveu como o corpo reage durante as partidas. “Depois, meu corpo inteiro começa a entrar em colapso, basicamente com cãibras e dor. As costas simplesmente cederam no final, e o ombro também”, relatou.

Futuro de Djokovic ainda é incerto

Djokovic deixou o US Open dizendo que precisava de tempo para pensar sobre o futuro no esporte. A dúvida é se continuará submetendo o corpo ao nível de dor apresentado no domingo.

Leia também

A possibilidade de aposentadoria ganhou força após a partida, mas o sérvio já declarou que sonha em jogar até a Olimpíada de Los Angeles, em 2028. O plano seria encerrar a carreira depois de representar seu país mais uma vez.

Por isso, ainda existe cautela antes de tratar a derrota como uma despedida. Djokovic já contrariou previsões semelhantes. Em 2017, enfrentou uma lesão no cotovelo e teve o retorno ao alto nível questionado. No ano seguinte, venceu dois dos quatro Grand Slams da temporada.

Nas últimas temporadas, a aposentadoria passou a acompanhar quase todas as derrotas do veterano. Mesmo assim, ele continuou adaptando o jogo e vencendo partidas importantes, como o duelo de cinco sets contra Sinner no Australian Open, no início deste ano.

Busca pelo 25º Grand Slam ficou mais distante

Djokovic não vence um Grand Slam desde 2023. Há apenas sete meses, porém, disputou a final do Aberto da Austrália e, em julho, chegou à semifinal de Wimbledon. Esses resultados mantinham viva a possibilidade de conquistar o 25º título de Grand Slam.

Na prática, o sérvio já não atua como jogador de tempo integral no circuito da ATP. Ele prioriza os torneios de Grand Slam e usa outras competições ocasionalmente como preparação, numa estratégia para administrar o corpo com o avanço da idade.

A tarefa ficou mais difícil diante de Carlos Alcaraz e Jannik Sinner, nomes da nova geração que passaram a ocupar o topo da disputa. As exigências físicas do esporte também aumentaram, e Djokovic precisaria de muita sorte para voltar a superar esses adversários em grandes torneios.

Ex – rivais Federer e Nadal pararam de vencer Slams aos 36 anos. Djokovic, portanto, já ultrapassou a marca em que os dois encerraram suas conquistas nos principais torneios. Ainda assim, ele pode continuar jogando por mais um ano ou dois, embora reste saber se ficaria satisfeito apenas com essa permanência.

Se a derrota no domingo será apenas mais um alarme falso ou o início do fim, os próximos meses devem indicar. Djokovic seguirá sendo lembrado, possivelmente, como o maior tenista da história, mesmo que decida prolongar a carreira além do momento ideal.