O incidente envolvendo o deputado distrital durante o Carnaval não pode ser visto apenas como um ato isolado de violência. Revela um padrão preocupante de aparelhamento institucional que se consolidou no Distrito Federal sob o governo de Ibaneis Rocha (MDB).
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Não se trata de um evento único, mas de uma lógica de poder que se manifesta em ações e decisões. A resposta da segurança pública, em particular, expôs uma falha grave na proteção das sedes dos Três Poderes, evidenciando uma crise institucional que demandava responsabilização.
A Polícia Militar como Instrumento Político
A atuação da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) nesse período foi particularmente preocupante. A corporação parece ter sido utilizada como um instrumento político, demonstrando uma submissão ao bolsonarismo e uma tolerância alarmante com forças que defendiam ideias autoritárias.
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A falta de ação contra atos de vandalismo, por exemplo, acentuou a sensação de injustiça e deslegitimou ainda mais a atuação das forças de segurança.
Além da Segurança Pública: Crise no Banco Público
A problemática não se restringe à segurança pública. O governo Ibaneis Rocha também enfrentou críticas relacionadas à gestão do banco público, que chegou à bancarrota em negociações com o Banco Master. A situação levanta questionamentos sobre os riscos assumidos e sobre a utilização política de uma instituição estratégica para o Distrito Federal.
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A instrumentalização de estruturas públicas para fins políticos é um problema central que afeta a confiança na administração pública e a sua capacidade de servir ao interesse coletivo.
A “Carteirada” como Desvio
A tentativa de enquadrar o episódio como uma “carteirada” – o uso do cargo para obter benefícios pessoais – é um desvio do debate. A “carteirada” envolve o uso indevido de privilégios e acesso, o que não se aplicava à situação do deputado Fábio Felix.
Ele estava cumprindo sua função institucional de fiscalização da ação policial, um direito garantido pela Constituição.
O Controle Civil e a Democracia
O que está em jogo é o direito de a sociedade acompanhar e fiscalizar as ações das forças de segurança. Quando esse controle é tratado como uma afronta, a democracia entra em risco. Democracias não se fortalecem apenas com grandes rupturas, mas com a garantia do controle civil sobre o poder, assegurando que as instituições sirvam à cidadania e não a projetos autoritários.
O episódio do Carnaval serve como um alerta sobre a importância de defender a autonomia das instituições e de combater qualquer tentativa de deslegitimar a fiscalização.
O Distrito Federal já enfrentou as consequências da complacência com o autoritarismo em janeiro de 2023. Repetir padrões de concentração de poder e deslegitimar a fiscalização é um caminho perigoso que coloca em risco a própria democracia. A pergunta que permanece é: as instituições do DF continuarão a servir à cidadania ou a um projeto de poder?
