Denúncia da PGR Aponta Deputados e Desembargador por Obstrução de Investigação
A Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizou nesta sexta-feira, 14 de março de 2026, denúncias contra os deputados estaduais TH Joias e Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), sob a acusação de obstrução de investigação contra a facção criminosa Comando Vermelho (CV).
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A acusação se estende a mais quatro indivíduos, que teriam auxiliado na obstrução das apurações contra organizações criminosas na capital fluminense. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, lidera a ação.
Encontro e Vazamento de Informações
A denúncia também acusa o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto de ter fornecido informações sigilosas a Bacellar sobre as medidas cautelares impostas na Operação Zerum, que visava TH Joias. Segundo a acusação, o desembargador e Bacellar se reuniram em setembro de 2025 para discutir o caso.
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O objetivo seria manter Bacellar informado sobre uma operação policial iminente, considerando sua ligação com TH Joias e a proximidade entre ambos.
A PGR destaca que as provas da Polícia Federal indicam que TH Joias tinha conhecimento prévio das investigações contra ele. A denúncia detalha que o deputado utilizou a ajuda de sua esposa, Jéssica de Oliveira Lima, para remover bens e provas de seu apartamento.
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Durante o período em que sua residência era esvaziada, TH Joias também trocou seu aparelho celular para se comunicar por meio de outro terminal, e Rodrigo Bacellar foi o primeiro contato a ser estabelecido após a troca.
Relação de Proximidade e Interferência
A denúncia sustenta que Macário, então desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), vazou informações confidenciais a Bacellar devido à relação de proximidade entre ambos. A PGR também denuncia Thárcio Nascimento Salgado, que atuaria como operador financeiro das organizações criminosas.
A acusação afirma que as ações de obstrução, além do vazamento da operação, tinham o propósito de interferir nos resultados das apurações, alinhadas aos ideais da organização criminosa.
Paulo Gonet solicitou que Macário seja investigado pela Corregedoria Nacional de Justiça e pela corregedoria do TRF-2. A defesa de Rodrigo Bacellar classificou a denúncia como baseada em “ilões e narrativas refutadas por extensa prova documental”, negando que o deputado tenha vazado informações sobre as medidas cautelares.
