Deputada Hilton Pede Fim de Apostas em Transmissões Esportivas

Deputada Hilton busca fim de apostas em transmissões esportivas, criticando a utilização da credibilidade de comentaristas para promover jogos de azar

Erika Hilton (esq.) não mencionou nomes de profissionais; a direita, Renata Fan, apresentadora do jogo Aberto, divulgando a casa de apostas Novibet | Reproducão/Instagram @hilton_erika – 20.jun.2026 e Youtube Jogo Aberto – 23.jun.2026

A deputada federal Erika Hilton, do Partido Socializante (PSol-SP), protocolou uma ação junto ao Ministério Público Federal (MPF) na última quarta-feira, 23 de junho de 2026. O objetivo é solicitar que o Poder Judiciário estabeleça regras rigorosas para impedir que comentaristas esportivos divulguem ou promovam apostas de maneira ostensiva durante as transmissões de eventos esportivos.

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A parlamentar argumenta que a utilização da autoridade e da credibilidade construída por esses especialistas junto ao público está sendo indevidamente empregada para estimular o hábito de apostar em tempo real.

Uso da Credibilidade Profissional na Promoção de Apostas

Segundo o documento apresentado ao órgão ministerial, a prática de promover apostas ocorre por meio de recomendações de palpites e da divulgação de odds. As odds são as cotações matemáticas utilizadas pelas plataformas de apostas para determinar o retorno potencial de um acerto.

Hilton enfatiza que essa exposição constante transforma a análise esportiva em um veículo de publicidade para jogos de azar.

A deputada criticou veementemente o uso da expertise profissional nesse contexto. “É inaceitável um comentarista usar a sua posição de especialista para induzir os telespectadores a apostarem”, declarou Erika Hilton, reforçando o posicionamento em uma postagem pública.

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Para ela, há uma clara quebra de confiança entre o especialista e o espectador.

Além da questão da indução, a congressista questiona a própria natureza da atividade, afirmando categoricamente que “Bet não é esporte. É jogo de azar“. Essa distinção é central para o pedido, pois busca desvincular a cobertura esportiva da lógica do risco financeiro.

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Exigência de Transparência e Regulação do Conteúdo

O foco da ação judicial não recai sobre nomes específicos de profissionais, emissoras de televisão ou empresas de apostas. Em vez disso, o pedido visa regulamentar a forma como o conteúdo publicitário de apostas é inserido nas transmissões esportivas, exigindo maior clareza para o consumidor.

Erika Hilton defende que é imperativo que sejam adotadas regras mais rígidas para a veiculação de qualquer material relacionado a apostas esportivas. Ela sustenta que o público assistente não consegue distinguir, de maneira inequívoca, quando um comentário técnico é meramente uma análise esportiva e quando ele se configura como uma ação publicitária disfarçada.

Para a deputada, a utilização da imagem e da autoridade de comentaristas para fins promocionais exige um nível de transparência que o mercado atual não oferece. É necessário que o telespectador receba um sinal claro e imediato sobre a natureza comercial do conteúdo que está sendo consumido.

A medida busca proteger o público de práticas que, segundo a parlamentar, misturam o entretenimento esportivo com o risco financeiro, sem o devido alerta regulatório. A ação do MPF reforça a discussão sobre os limites éticos da mídia e o impacto do crescente mercado de apostas no Brasil.

A iniciativa legislativa visa, portanto, reestabelecer uma barreira clara entre a análise desportiva e a publicidade de jogos de azar, garantindo maior proteção ao consumidor de conteúdo audiovisual.

A expectativa é que o Ministério Público Federal analise o pleito, avaliando a viabilidade de um parecer que possa estabelecer diretrizes de conduta para a mídia em relação à cobertura de eventos esportivos.