Depoimento de Daniel Vorcaro sobre o Banco Master é Revelado
O depoimento de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, realizado em 30 de dezembro, foi divulgado na sexta-feira (23). A oitiva faz parte de uma investigação sobre fraudes relacionadas à instituição financeira. Entre os assuntos discutidos, destacam-se a relação com o governador do Distrito Federal, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) como modelo de negócio, a tentativa de venda do banco ao BRB (Banco de Brasília) e críticas ao Banco Central.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Relação com o Governador e Problemas de Liquidez
Vorcaro informou à Polícia Federal que as conversas sobre a venda do Banco Master ao BRB ocorreram entre 2024 e 2025, tanto em sua residência quanto na casa do governador em Brasília. Ele mencionou que se encontraram algumas vezes para discutir questões institucionais.
O banqueiro negou qualquer tentativa de interferência política na supervisão do Banco Central e reconheceu que o banco enfrentava dificuldades de liquidez. Ele explicou que a instituição utilizava o FGC como parte central de seu modelo de negócios, mas que a situação estava sendo corrigida.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Modelo de Negócio Baseado no FGC
Vorcaro defendeu a estratégia do Banco Master, afirmando que seu plano de negócios era 100% baseado no FGC e que isso não era incorreto. O FGC tem a função de garantir depósitos e créditos de correntistas e investidores em casos de intervenção ou liquidação de instituições financeiras.
O banqueiro também comentou sobre uma operação bilionária que expôs fragilidades internas do banco, envolvendo carteiras de crédito consignado da empresa Tirreno. Ele destacou que a aquisição de créditos já originados por terceiros era uma novidade para o Master e ocorreu durante as negociações para a venda ao BRB, aumentando o risco da operação.
LEIA TAMBÉM!
Críticas ao Banco Central e Negociações com o BRB
Vorcaro afirmou que a negociação para a venda do banco não justificava a exposição pública do caso, ressaltando que o prejuízo afetou não apenas a ele, mas todo o sistema financeiro. Ele se sentiu alvo de um escrutínio excessivo e alegou que a decisão do Banco Central, em novembro de 2025, inviabilizou uma solução de mercado, levando à liquidação do banco.
De acordo com Vorcaro, havia divergências internas no Banco Central entre áreas que defendiam uma solução de mercado e outras que preferiam a liquidação da instituição.
Negação de Influência Política e Viagem a Dubai
Quando questionado sobre políticos que frequentavam sua casa, Vorcaro afirmou que suas relações pessoais não estavam ligadas ao caso. Ele também negou ser influente em Brasília, argumentando que, se tivesse tal influência, não teria enfrentado a negativa da operação com o BRB.
Sobre uma viagem planejada a Dubai, o banqueiro esclareceu que não tinha relação com o caso e que o Banco Central foi informado previamente, afirmando que a interpretação sobre sua viagem foi “tirada de contexto”.
