Depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal revela fragilidades alarmantes no Banco Master e levanta questões sobre operações bilionárias com a Tirreno.
O depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal, realizado no ano passado, expõe vulnerabilidades nos controles internos do Banco Master. A investigação gira em torno de uma operação bilionária que envolve carteiras de crédito consignado da empresa Tirreno.
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Vorcaro, em sua oitiva, admitiu que a compra de créditos já originados por terceiros foi uma experiência inédita em grande escala para a instituição.
Segundo informações obtidas, a Tirreno foi apresentada ao Banco Master no final de 2024 por Henrique Peretto, um empresário do setor de consignados. Vorcaro revelou que, inicialmente, não conhecia a empresa e que o negócio surgiu como parte de uma estratégia de expansão em um momento de pressão regulatória e mudanças na captação de recursos do banco.
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Embora o banqueiro tenha afirmado que o Banco Master possuía uma estrutura formal de gestão de risco, compliance e jurídico, ele não forneceu detalhes sobre aprovações específicas relacionadas à Tirreno. Ao ser questionado sobre a checagem documental, reconheceu que se tratava da primeira aquisição significativa de carteiras prontas de terceiros, o que teria colocado as áreas operacionais em teste.
Um aspecto crucial da investigação é a emissão de CDBs (cédulas de crédito bancário) lastreadas nos créditos da Tirreno. Vorcaro confirmou que esses títulos foram emitidos internamente, ressaltando que a formalização era necessária para trazer créditos do mercado não financeiro para o ambiente bancário.
Contudo, essa ação implica que a instituição assume a responsabilidade pela autenticidade dos créditos.
A delegada que conduziu o depoimento destacou que, conforme os documentos analisados, as CCBs foram emitidas antes da apresentação completa da documentação das carteiras, sugerindo falhas na due diligence. Vorcaro respondeu de maneira genérica, mencionando a existência de checklists e cláusulas contratuais, mas sem explicar por que a emissão ocorreu antes da validação total dos créditos.
Além disso, o depoimento sugere que a operação com a Tirreno ocorreu paralelamente ao aumento das transações entre o Banco Master e o BRB. O banqueiro admitiu que já havia uma relação comercial com o BRB. Posteriormente, diante de questionamentos do Banco Central e da falta de documentação, o Banco Master acionou cláusulas contratuais para desfazer o negócio.
Para os investigadores, o depoimento evidencia contradições entre a existência formal de controles internos e a prática adotada em uma operação que envolveu valores bilionários. A apuração busca esclarecer se houve emissão irregular de títulos, falhas de governança e riscos ao sistema financeiro, questões que permanecem no foco das investigações baseadas nos relatórios do Banco Central.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.