Deolane Bezerra: Defesa pede liberdade e critica prisão como “midiática” em julgamento decisivo
A defesa de Deolane Bezerra pede liberdade em julgamento, destacando sua condição de mãe e criticando a prisão como “midiática”. O que mais será decidido?
Defesa de Deolane Bezerra argumenta por liberdade em julgamento
No julgamento do pedido de liberdade de Deolane Bezerra, o advogado de defesa, Aury Lopes Jr., destacou que a influenciadora é mãe de uma criança de 10 anos e classificou a prisão como “midiática”. Na tarde desta quinta-feira (9), a Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu, por unanimidade, negar o agravo regimental no habeas corpus, recomendando ao Tribunal de Justiça de São Paulo que agisse com celeridade.
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Durante sua sustentação, Aury Lopes Jr., um dos advogados criminalistas mais respeitados do Brasil, argumentou que a prisão preventiva de Deolane é “excessiva, desnecessária e midiática”. Ele afirmou que a prisão foi banalizada e que Deolane foi tratada como “um personagem e um troféu midiático”.
O advogado ressaltou que ela é advogada, empresária e mãe, e que não cometeu crimes com violência ou grave ameaça, citando precedentes do próprio STJ.
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No habeas corpus impetrado no Tribunal de Justiça paulista, Aury enfatizou que Deolane, sendo mãe de uma filha de 10 anos que depende exclusivamente dela, deveria ter sua situação reconsiderada, mencionando o trauma que a criança pode estar enfrentando.
Ele também destacou que, entre 2022 e 2024, enquanto a influenciadora era investigada por lavagem de dinheiro, nunca foi chamada para prestar esclarecimentos.
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O advogado argumentou que Deolane poderia ter sido intimada para explicar determinados depósitos, mas isso não ocorreu. “Parece que efetivamente não se buscava apurar a verdade dos fatos. Ficou quatro anos investigando para depois se ter uma prisão midiática e desnecessária”, afirmou Aury.
Ele finalizou ressaltando que todo o patrimônio de Deolane está bloqueado, que as provas da investigação são rastreáveis e que não há risco de fuga, já que ela foi presa em casa após retornar de uma viagem a Roma com a filha.
Decisão do Ministério Público e contexto da prisão
O procurador-geral da República, Augusto Aras, representando o Ministério Público Federal, defendeu a manutenção da prisão de Deolane, citando precedentes das Quintas e Sextas Turmas que justificam a prisão preventiva de uma mãe e de pessoas ligadas a organizações criminosas.
A Quinta Turma do STJ é composta pelos ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Maria Marluce Caldas.
Todos os ministros, a partir do voto do relator Ribeiro Dantas, concordaram com a decisão. A ministra Maria Marluce afirmou: “Meu entendimento está em consonância com a jurisprudência dessa Corte, firmada no sentido de não ser cabível a impetração de habeas corpus contra decisão que indefere a liminar na origem, especialmente ratificando todos os argumentos do ministro relator, entendendo que não é caso de decisão teratológica ou desprovida de qualquer fundamentação”.
Ligação de Deolane Bezerra com o PCC
O promotor do Gaeco de Presidente Prudente, Lincoln Gakiya, declarou em entrevista que Deolane Bezerra está ligada à arquitetura financeira do PCC (Primeiro Comando da Capital) desde 2022. Gakiya é responsável pela investigação que resultou na prisão de Deolane, suspeita de participar de um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa.
Segundo o promotor, Deolane mantém uma relação próxima com a família de Marcola, líder do PCC, frequentando a casa e eventos familiares. Além dela, Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, também foi alvo da investigação. Marcola já está preso em uma penitenciária federal em Brasília, mas recebeu um novo mandado de prisão.
O promotor também mencionou que Deolane tinha proximidade com Alejandro Camacho, irmão de Marcola, e que a Polícia Civil de São Paulo a prendeu no dia 29 de maio, cerca de uma semana após a prisão, por suspeita de envolvimento em organização criminosa e lavagem de capitais.
Até o momento, o Ministério Público de São Paulo não apresentou denúncia contra os envolvidos.