O setor público, que engloba a União, estados, municípios e empresas estatais, apresentou um déficit nominal de R$ 1,086 trilhão no período de 12 meses até janeiro de 2026. Este resultado representa o maior saldo negativo anualizado desde novembro de 2024, quando o déficit atingiu R$ 1,111 trilhão.
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O Banco Central divulgou os dados em um relatório, disponibilizado em formato PDF (397 kB), detalhando a evolução das contas públicas.
Aceleração do Déficit e Impacto no PIB
O déficit nominal acelerou em relação ao mês de dezembro de 2025, que registrou um valor de R$ 1,063 trilhão. Em janeiro de 2026, o saldo negativo foi de 8,49% do Produto Interno Bruto (PIB), um aumento em relação aos 8,34% registrados em dezembro de 2025.
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Essa situação indica uma pressão significativa sobre as finanças do país.
Gastos com Juros da Dívida Elevam o Déficit
A maior parte do déficit primário está relacionada aos gastos com juros da dívida pública. No acumulado de 12 meses, esse valor atingiu R$ 1,031 trilhão, o maior valor já registrado na série histórica, iniciada em 2002. Esse montante corresponde a 8,05% do PIB, impulsionado pela taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano desde junho de 2025.
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Impactos da Política Fiscal e Inflação
Economistas apontam que a Selic elevada, em conjunto com a política fiscal expansionista do governo, contribui para o aumento do custo dos juros. O crescimento dos gastos públicos permanentes também exerce pressão sobre as expectativas de juros futuros, além de influenciar o consumo na economia e, consequentemente, gerar impactos inflacionários.
A situação exige atenção para evitar um ciclo vicioso de dívida e inflação.
Saldo Negativo nas Contas Públicas e Gastos em Janeiro
Além do déficit nominal, o setor público consolidado registrou um saldo negativo nas contas públicas, com um déficit primário de R$ 55,4 bilhões no acumulado de 12 meses até janeiro de 2026. Esse valor superou o registrado em novembro de 2024, que era de R$ 192,9 bilhões.
Em janeiro de 2025, o setor público gastou R$ 63,6 bilhões com juros da dívida, um aumento em relação aos R$ 40,4 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.
Superávit Nominal em Janeiro
Apesar dos gastos elevados, o resultado nominal –que inclui o resultado primário e os gastos com a dívida pública– apresentou um superávit de R$ 40,1 bilhões em janeiro de 2026. Esse valor se soma ao acumulado de 12 meses, que totaliza R$ 1,086 trilhão, ou 8,49% do PIB.
Em dezembro de 2025, o acumulado de 12 meses era de R$ 1,063 trilhão, ou 8,34% do PIB.
Entendendo as Contas Públicas: Primário, Nominal e Superávits
O Banco Central monitora a necessidade de financiamento do setor público consolidado, que mede o volume de recursos que precisam ser captados para cobrir o déficit. O resultado primário revela se o governo gastou mais do que arrecadou, sem considerar os juros da dívida.
Um superávit primário indica que a arrecadação foi suficiente para cobrir as despesas correntes e investimentos. Já um déficit primário significa que o governo precisou se endividar mesmo após cobrir os juros.
O resultado nominal, por sua vez, engloba o resultado primário mais os gastos com juros da dívida, refletindo a situação completa das finanças públicas. Mesmo com um superávit primário, um déficit nominal pode ocorrer se os juros da dívida forem altos, impactando o endividamento do país.
