A elevação dos preços do diesel no Brasil reacende o debate sobre aumentar a mistura de biodiesel para 17%. Entenda como isso pode impactar o agronegócio!
A recente elevação nos preços do diesel reacendeu no Brasil a discussão sobre a ampliação da mistura de biodiesel ao combustível fóssil. A proposta, apoiada por entidades do setor agropecuário, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), sugere aumentar o percentual atual para 17%.
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Essa medida poderia diminuir a dependência externa do país e fortalecer a cadeia produtiva da soja.
De acordo com Daniel Furlan Amaral, diretor de economia e assuntos regulatórios da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o aumento do diesel impacta diretamente o setor agrícola em dois aspectos principais: os custos de produção e a logística. “O diesel é fundamental para o funcionamento das máquinas no campo e para o transporte da produção.
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Quando o preço sobe, as margens do produtor rural ficam pressionadas, especialmente em um momento já desafiador para o setor”, afirma.
Nesse contexto, a ampliação da mistura de biodiesel se apresenta como uma estratégia para reduzir a vulnerabilidade energética do Brasil, que ainda depende significativamente da importação de diesel fóssil. Amaral destaca que aumentar o percentual de biodiesel também estimula a demanda interna por esmagamento de soja, fortalecendo a cadeia produtiva do agronegócio. “Dependendo do patamar do petróleo, essa medida pode inclusive ajudar a reduzir o preço final do combustível na bomba”, diz.
Atualmente, a mistura obrigatória está em 15% (B15). Se esse percentual for mantido durante todo o ano de 2026, a projeção é de uma demanda próxima de 10,5 bilhões de litros de biodiesel. Caso o governo federal autorize a elevação para 16% (B16) a partir de julho, o consumo pode alcançar cerca de 11 bilhões de litros.
Essa mudança também afetaria diretamente o uso de óleo de soja, a principal matéria-prima do biodiesel no Brasil, com a demanda passando de 6,8 milhões de toneladas no cenário de B15 para aproximadamente 7,1 milhões de toneladas com B16.
As indústrias brasileiras estão prontas para atender a níveis mais altos de mistura, incluindo B17 e até B18. “A capacidade instalada é robusta e há matéria-prima suficiente. Não há risco de desabastecimento. O setor está, inclusive, com parte da capacidade ociosa e aguarda apenas a sinalização regulatória para ampliar a produção”, afirma o diretor da Abiove.
Essa declaração responde a preocupações levantadas recentemente pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, sobre possíveis dificuldades de oferta.
Embora os preços do diesel no mercado interno ainda sejam considerados competitivos em relação ao cenário internacional, especialistas alertam para o risco de novas altas no curto prazo. Nesse cenário, a ampliação do uso de biodiesel pode atuar como um mecanismo de proteção contra oscilações externas. “É difícil estimar um percentual exato de redução de preço, pois parte do diesel tem preço controlado internamente e outra parte depende da importação.
Mas aumentar a mistura atua como um amortecedor contra crises de abastecimento e contra a volatilidade internacional”, explica Amaral.
Os conflitos internacionais já têm causado reflexos indiretos na cadeia da soja, resultando na alta global dos preços dos óleos vegetais, incluindo o óleo de soja, e no aumento dos custos de frete no comércio internacional. Além disso, o setor está atento a possíveis impactos sobre o mercado de fertilizantes, insumo estratégico para a produção agrícola.
Para Amaral, o momento reforça a necessidade de políticas que incentivem o processamento doméstico de oleaginosas e ampliem a segurança energética do país. “O cenário exige cautela e planejamento. Valorizar a produção e o processamento interno é uma forma de fortalecer o agronegócio e reduzir vulnerabilidades externas”, conclui.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.