Davos 2026 se destaca como um palco de contrastes, com Donald Trump e a elite global debatendo desigualdade e crises sociais. O que esperar desse encontro?
O Fórum Econômico Mundial, conhecido como Davos, sempre enfrentou críticas em relação à sua imagem. A cena de pessoas chegando em jatos particulares para discutir temas como pobreza e mudanças climáticas, enquanto desfrutam de um banquete, gera um contraste evidente.
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No entanto, Davos 2026 se transformou em um espaço de emergência para a elite mundial, que precisa lidar com duas ameaças interligadas.
Um dos principais tópicos é a presença do presidente Donald Trump, que participará da cúpula na quarta-feira (21), trazendo à tona sua política de guerra comercial. Além disso, há a complexa questão da economia em forma de K, conceito popularizado pelo economista Peter Atwater, que descreve a crescente divisão entre ricos e pobres, acentuada desde 2020.
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A pandemia afetou a todos, mas a recuperação se deu de maneira desigual: os ricos se tornaram mais ricos, enquanto os pobres enfrentaram dificuldades.
Seis anos após o início da pandemia, a disparidade entre os extremos da curva K continua a aumentar. O mercado de ações, apesar da volatilidade, opera próximo a máximas históricas, enquanto os hotéis de luxo mantêm alta taxa de reservas, mesmo com menos americanos viajando.
A crise de acessibilidade à moradia, por um lado, se transforma em oportunidades de valorização imobiliária, por outro.
Antes da pandemia, o público de Davos parecia distante da realidade. A crise de acessibilidade financeira, que contribuiu para a reeleição de Trump, acentuou o abismo entre os participantes do fórum e a população em geral. Atwater, professor adjunto de economia, destaca que aqueles na base da pirâmide social estão cientes da abundância acima deles, enquanto a interação entre as classes diminuiu drasticamente.
Os participantes de Davos reconhecem, em nível intelectual, o dilema de usar jatos particulares para discutir mudanças climáticas. Larry Fink, CEO da BlackRock, abordou essa questão em seu discurso de abertura na segunda-feira (19), ressaltando que muitos dos mais afetados pelas discussões do fórum nunca estarão presentes.
Essa tensão é central para o evento, que busca moldar um mundo mais inclusivo.
Contudo, críticos apontam que o fórum frequentemente falha em perceber as mudanças sociais até que seja tarde demais. A história mostra que a elite muitas vezes ignora sinais de alerta, como evidenciado por eventos recentes no Irã, onde a desigualdade extrema levou a protestos e repressão.
Atwater alerta que a riqueza ostentosa não pode ser mantida sem consequências, e que a vulnerabilidade social pode levar a um ponto de ruptura devastador.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.