Debate sobre Data Centers no Rio Grande do Sul Aprofunda Impactos e Questionamentos
Na terça-feira, 25 de junho de 2026, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul recebeu a apresentação do relatório da subcomissão especial sobre a instalação de data centers, um projeto impulsionado pelo governador Eduardo Leite (PSD) em novembro de 2024.
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A iniciativa, liderada pela Scala Data Centers, visa a criação de um campus em Eldorado do Sul com um investimento inicial de R$ 3 bilhões e capacidade projetada de 5.000 MW até 2033.
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Análise Energética e Carga de 5 Gigawatts
O deputado estadual Matheus Gomes (Psol), que conduz a subcomissão, destacou a dimensão do consumo de energia envolvido, questionando a solicitação de uma carga de 5 gigawatts até 2033, ainda não autorizada pela administração. Segundo ele, a capacidade já concedida, de 1.800 megawatts, representa um aumento de 40% em relação ao consumo médio residencial do estado.
O parlamentar enfatizou a necessidade de aprofundar a análise técnica, ouvindo especialistas, e apontou mudanças institucionais que viabilizaram o empreendimento, incluindo alterações na legislação municipal e medidas de remuneração fiscal.
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Interesse Internacional e Infraestrutura
Além disso, o deputado Gomes revelou o interesse internacional no projeto, com a intenção de instalação de um cabo submarino ligando diretamente os Estados Unidos à Praia de Pinhal, no litoral norte gaúcho, onde está previsto o Cabo Malbec. Essa estrutura, segundo ele, reduziria a latência e aumentaria a velocidade de transmissão de dados, impulsionada pela disponibilidade de energia renovável e pela rede elétrica existente no estado.
A subestação Bomba 3, originalmente projetada para atender uma unidade da Ford que não foi construída, foi apontada como estratégica para o projeto.
Impactos Sociais e Críticas
O debate também se concentrou nos impactos sociais do projeto. O deputado Gomes ressaltou a baixa geração de empregos diretos, estimando que a instalação do data center geraria apenas mais de 100 empregos. Ele criticou a criação de uma “cidade da inteligência artificial” sem garantia de empregos de qualidade, alertando para potenciais conflitos nos impactos sobre as comunidades locais, incluindo assentamentos da reforma agrária e comunidades indígenas.
O parlamentar apontou fragilidades regulatórias, como a ausência de exigência de Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima), de componente climático e de planos de contingência.
Representações e Próximos Passos
Representantes de assentamentos da reforma agrária relataram a falta de acesso a informações sobre o projeto, e organizações locais estão elaborando relatórios próprios para informar as famílias sobre o data center e outros empreendimentos previstos para a região.
O Conselho Indigenista Missionário, Regional Sul, encaminhou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) acerca do projeto, apontando que o empreendimento possui potencial de impactar diretamente comunidades do povo Mbya Guarani na região, sem que tenha havido a devida observância do direito à consulta prévia.
O debate continuará nesta sexta-feira, 27 de junho, em um seminário promovido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pelo Instituto de Informática da universidade, com a participação da Relatoria de Inteligência Artificial do Conselho Nacional de Direitos Humanos.
