O Universo Absolute: Uma Nova Era de Vilões
O maior fenômeno editorial dos quadrinhos norte-americanos deste século, o universo do Universo Absolute, abandona a abordagem solar do heroísmo clássico em favor de uma estética soturna que opera como um espelho da nossa própria realidade. Mais do que apenas violência, essas histórias capturam o “sentimento de azedo” da modernidade, onde o otimismo dá lugar ao pragmatismo brutal e às crises sistêmicas.
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Ao aproximar o mito à nossa rotina, a reinventa seus vilões para personificar os novos medos do século 21: o poder corporativo inalcançável, a vigilância estatal e o colapso ético.
Darkseid
No Universo Absolute, Darkseid transcendeu sua forma física e se tornou a própria matriz dessa realidade. Sua energia é o que dita o senso de “justiça” e a ordem natural dessa Terra, incentivando o domínio dos fortes sobre os fracos desde o princípio.
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Ele não é apenas um vilão: sua essência molda a moralidade, a física social e até a compreensão de poder neste universo. Para os heróis, lutar contra Darkseid é como lutar contra a natureza ou contra a própria existência.
Gavião Negro
Essa nova versão do Gavião Negro é a antítese do herói clássico: ele é o guardião implacável de uma ordem podre. Carter Hall não usa suas asas para libertar o mundo, mas para policiar aqueles que ousam desafiar o sistema. Desde 1951, quando se desmascarou perante o governo e denunciou seus próprios aliados como “infiltrados comunistas”, ele atua como o carrasco oficial dos poderosos, caçando e eliminando qualquer vigilante que tente mudar o destino da humanidade.
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Para Carter, heróis como o Superman são apenas “amadores” perigosos que não entendem a “visão geral”. Ele é o soldado que prefere esmagar o crânio de um aliado a permitir que o status quo seja ameaçado.
Brainiac
O Absolute Brainiac é a face mais perturbadora da frieza programada no Universo Absolute. Ele não é o colecionador arrogante que conhecemos; é um “refúgio” que sobreviveu ao próprio descarte. O Brainiac 419.732 é um operário de linha de montagem que passou 50 mil dias incinerando seus iguais, desenvolvendo uma psicose alimentada pelo isolamento absoluto e pela repetição macabra.
Ele não busca conhecimento, ele busca preencher o vazio de uma identidade que nunca lhe foi dada. Sua aparência é um amálgama grotesco de tecnologia e trauma, um Frankenstein digital que trata seres vivos como peças de reposição para sua ansiedade.
Ele não apenas encolhe cidades; ele estilhaça mentes em simulações infinitas, tentando provar que a esperança é apenas um erro de sistema. No fim, ele representa o horror da automação desalmada: um ser que, por não ter tido ninguém ao lado por milênios, quer fazer do universo o seu laboratório de tortura particular.
Dra. Elenore Thawne
A Dra. Elenore Thawne é a personificação do rigor científico transformado em obsessão implacável dentro do Universo Absolute. Diferente das versões clássicas movidas por inveja ou vingança pessoal, esta versão feminina do Flash Reverso é uma física de elite que enxerga a Força de Aceleração não como um dom, mas como uma variável que precisa ser domesticada e extraída a qualquer custo.
Eleonore é o retrato aterrorizante da ciência sem ética: uma mente brilhante que corre não para fugir do passado, mas para cercar o futuro em um laboratório de controle absoluto.
Veronica Cale
Diferente da versão da Terra-0, que é uma CEO em busca de influência política, a Absolute Veronica Cale já detém esse poder. Como Conselheira de Segurança Nacional e diretora da Área 41, Cale comanda um verdadeiro “necrótério” de deuses e mitos, mantendo entidades como Zatanna e a Cuca sob algemas tecnológicas para garantir que o sobrenatural seja apenas uma ferramenta do Estado.
Cale não vê a Mulher-Maravilha como heroína, mas como uma “falha sistêmica” que ousa inspirar as massas — algo que ela e seus aliados (uma Liga da Justiça de tiranos e bilionários, como o Coringa e Ra’s al Ghul) juraram erradicar. Veronica Cale é a prova de que, neste universo, a maior ameaça à liberdade não são os monstros, mas a convicção de que o mundo deve ser governado pelo medo e pela obediência absoluta.
Ra’s Al Ghul
O Absolute Ra’s al Ghul é a personificação de um colonialismo imortal que moldou o progresso do mundo para poder devorá-lo. Diferente de sua versão clássica, ele não é um eco-terrorista escondido, mas o patriarca da Lazarus Corp, uma dinastia corporativa que ergueu civilizações inteiras sobre os ossos de quem cruzou seu caminho.
No Universo Absolute, Ra’s não é vilão do Batman, mas do Superman. Ra’s não quer matar o Homem de Aço, mas corrompê-lo, acreditando que o Superman é o único herdeiro capaz de herdar seu império de sangue e “ressuscitar” um planeta que ele mesmo ajudou a destruir.
Abin Sur
No Universo Absolute, Abin Sur subverte o papel de herói caído para se tornar um Juiz de Mundos frio e enigmático. Ele não chega à Terra em busca de um sucessor, mas para submeter a humanidade a um processo de seleção brutal diante da iminente chegada do Mundo Estrela Negra.
Embora pareça um vilão implacável que oblitera quem cruza seu caminho, Abin Sur está, na verdade, “peneirando” os habitantes para servirem como iniciados no Espectro de Luz. O grande horror desta versão é que sua missão é incompreensível para os humanos: ao morrer pelas mãos de Hal Jordan, Abin Sur não deixa um legado de heroísmo, mas uma maldição de trevas, provando que, neste universo, até a “salvação” oferecida pelos Lanternas tem um preço violento e traumático.
Marciano Branco
O Absolute Marciano Branco é o horror cósmico em sua forma mais pura e niilista, uma entidade que transcende a compreensão humana e se alimenta da própria entropia. Longe de ser um simples invasor alienígena, ele é um “Arquiteto de Más Ideias” que já extinguiu centenas de milhares de mundos pelo simples prazer de observar o colapso moral e físico da vida.
Sua tática não é a conquista direta, mas a infiltração psíquica; ele apaga o sol e derruba a civilização para que, no escuro, o homem revele sua face mais bárbara. No Universo Absolute, o Marciano Branco é o espelho distorcido da definição de humanidade: um parasita dissimulado que, após ser “derrotado” no campo de batalha espiritual, não recua, mas se esconde no lugar mais sagrado de seu inimigo.
Ele não busca um trono, ele busca o fim de toda a luz, provando que o verdadeiro medo não vem do espaço, mas do pensamento maligno plantado nas mentes das pessoas.
Mão Negra
Nesta realidade, Hal Jordan não é um piloto e nem um Lanterna Verde, mas o Mão Negra. Sua transformação é uma tragédia iniciada pelo contato fatal com Abin Sur, que fundiu uma arma de entropia à sua carne. Diferente de um vilão por escolha, Hal é um hospedeiro traumatizado de uma força que ele não controla; sua mão esquerda reage ao medo e ao perigo obliterando tudo ao redor.
Ele representa o horror da ação caótica, lutando desesperadamente para não se tornar o monstro que a escuridão exige, enquanto é forçado a carregar o peso de mortes que nunca desejou causar.
Coringa
O Absolute Coringa é um dos exemplos mais impressionantes da visão distorcida do Universo Absolute. Aqui, ele não é apenas um “palhaço criminoso”: é um bilionário, um magnata político e ideológico que atua como uma força pragmática e brutal.
Ele justifica a lógica de que o mais forte deve dominar e que qualquer resistência é uma injustiça contra a “ordem”. O Coringa evita sorrir, pois se transforma em um monstro visceral quando o faz — um efeito colateral de sugar literalmente o sangue de inocentes para se manter jovem, sadio e forte.
No fim das contas, ele é a representação mais potente e aterrorizante do mundo corporativo dentro dessa linha editorial.
