CVM alerta: Falta de recursos impede detecção de fraudes! João Accioly revela que cortes de 70% no orçamento da autarquia dificultam a fiscalização do mercado financeiro. Crise na B3 e atraso em alertas do Banco Master expõem graves falhas
O presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, alertou nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, sobre os desafios enfrentados pela autarquia devido à drástica redução no orçamento discricionário desde 2015. A queda de 70% nos recursos disponíveis tem dificultado significativamente a capacidade da CVM de identificar irregularidades no mercado financeiro.
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Mesmo com um aumento de R$ 10 milhões, promovido pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o montante ainda é considerado insuficiente para supervisionar um setor tão vasto, que engloba mais de 30 mil fundos e ativos movimentados em R$ 11 trilhões.
Accioly, em entrevista à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, destacou a dependência da CVM de plataformas de terceiros, como a B3, devido à falta de investimento em sistemas internos. Ele argumentou que uma estrutura tecnológica adequada permitiria a identificação automática de sinais de fraude, utilizando algoritmos para analisar dados.
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O presidente interino mencionou testes retroativos que teriam revelado atipicidades em fundos ligados ao Banco Master, evidenciando a necessidade de uma abordagem mais proativa na supervisão.
Accioly explicou que o modelo atual de supervisão, que prioriza fundos de varejo, deixa os fundos exclusivos à mercê de denúncias dos cotistas. No caso específico do Banco Master, a situação era ainda mais complexa, pois o banco atuava simultaneamente como cotista e beneficiário do superdimensionamento de seus próprios ativos, o que atrasou alertas e dificultou a atuação dos supervisores.
A CVM está revisando como as informações de auditoria foram tratadas internamente, buscando identificar falhas no processo.
O presidente interino defendeu mudanças estruturais, incluindo a implementação de uma lei de whistleblower para incentivar denúncias remuneradas e aumentar a transparência sobre os cotistas de fundos. Além disso, Accioly propôs a reorganização interna da CVM, com a criação de novas superintendências focadas na integração de dados e no uso de ferramentas tecnológicas. “Precisamos de recursos, mas também de sistemas capazes de olhar tudo, não só o que aparece como maior risco”, afirmou.
A investigação da Polícia Federal (PF) e a atuação do Banco Central (BC) em novembro de 2025, envolvendo o Banco Master, ressaltaram a importância da supervisão eficaz. A instituição é suspeita de inflar artificialmente ativos de fundos exclusivos para mascarar fragilidade financeira e viabilizar a venda de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões para o Banco de Brasília.
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Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.