CVM apura uso de laudos falsos por Vorcaro para inflar fundo imobiliário
Processo com 18 investigados, incluindo Daniel Vorcaro e o Banco Master, entra na pauta da CVM nesta terça-feira (8), com possível prejuízo a cotistas.
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) investiga o uso de laudos falsos por um grupo ligado a Daniel Vorcaro para aumentar artificialmente o valor de imóveis vinculados ao fundo imobiliário Brazil Realty. As cotas eram oferecidas a investidores de mercado.
O caso está na pauta da CVM desta terça – feira (8). A apuração aponta que os documentos usados para justificar os preços dos imóveis teriam sido forjados, o que teria inflado o patrimônio do fundo e dado vantagens indevidas ao grupo.
Imóveis teriam sido registrados por valores inflados
Um dos imóveis citados no processo tem 7.111 m² e fica em Nova Lima (MG). Segundo apurou o CNN Money, o valor atribuído ao terreno passou de R 7,1 milhões para R 70,9 milhões com base em um único laudo, produzido em outubro de 2017.
A empresa responsável pela avaliação foi intimada, mas negou ter elaborado o documento. O material foi classificado como fraude, e a empresa registrou boletim de ocorrência.
Outro imóvel mencionado na acusação tem 76.000 m² e está localizado em Contagem (MG). O processo aponta uma possível sobreavaliação de aproximadamente R 56 milhões no laudo apresentado.
Acusação cita negociações entre empresas do grupo
Para a acusação, a inclusão dos imóveis no fundo por preços inflados e as negociações no mercado secundário teriam sido usadas para induzir investidores a comprar cotas. O prejuízo ficaria com esses compradores, que pagariam por papéis baseados em valores artificiais, superiores ao preço real dos imóveis.
A investigação também indica que empresas do próprio grupo teriam comprado e vendido cotas do fundo entre si. A prática, segundo a apuração, criaria uma aparência de liquidez para os papéis.
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A acusação da CVM inclui 18 nomes, entre eles Daniel Vorcaro e o Banco Master. Os investigados teriam obtido lucro milionário com investidores que adquiriram as cotas, já que os papéis valeriam menos do que o valor atribuído aos imóveis.
Para a acusação, a Entre Investimentos e Participações era responsável por dar liquidez à operação. Entre novembro de 2018 e março de 2020, a empresa realizou 177 operações no mercado secundário de balcão não organizado.
Em manifestação à CVM, a empresa afirmou que a acusação não descreveu com precisão os atos ilícitos supostamente praticados e limitou – se a atribuir a ela o papel de “câmara de liquidação”. A defesa do Banco Master, Daniel Vorcaro e Viking sustentou a regularidade da integralização das cotas e afirmou que todas as integralizações do Banco Master foram feitas em dinheiro.
A reportagem entrou em contato com a defesa de Daniel Vorcaro e aguarda posicionamento.