Cúpula de Líderes em Belém: Ausência dos EUA e Desafios Climáticos
A Cúpula de Líderes, que acontece em Belém (PA) a partir desta quinta-feira (6), contará com a presença de chefes de Estado, mas não terá a participação dos Estados Unidos. Cláudio Ângelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, destaca que essa ausência revela um impasse histórico.
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Segundo ele, nos últimos 33 anos, os EUA desempenharam um papel construtivo apenas durante o segundo mandato do ex-presidente Barack Obama. Em outros períodos, o país obstruiu o progresso nas questões climáticas.
Ângelo também menciona que a reeleição do presidente Donald Trump elimina as expectativas de liderança climática dos EUA. “O mundo já entendeu que não dá para contar com os Estados Unidos. O que quer que façamos sobre mudança do clima, vamos ter que fazer apesar dos Estados Unidos”, afirmou.
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Ele ressalta que os principais desafios da conferência não estão formalmente na pauta, mas devem guiar as negociações.
Desafios e Urgências na Cúpula
Durante a entrevista, Ângelo enfatizou a urgência de enfrentar a insuficiência das metas nacionais dos países, conhecidas como NDCs. Um relatório recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente revelou um “buraco de 23 bilhões de toneladas de CO2” entre as emissões permitidas até 2035 para manter o aquecimento dentro de 1,5°C e o que as políticas atuais realmente entregam. “Belém precisa começar a dar uma resposta política a essa insuficiência”, defendeu.
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Outro ponto crucial, segundo Ângelo, é a necessidade de enfrentar a dependência de combustíveis fósseis, como carvão e gás. Ele lembrou que o mundo já concordou com uma transição “justa, ordenada e equitativa” para longe dos fósseis, mas ainda não definiu prazos ou responsabilidades. “Quem vai primeiro, quem faz o quê, isso tudo precisa ser definido e não há debate internacional sobre essas definições”, criticou.
