Acesso à Informação em Saúde e Cuidado com Interpretações
Nos últimos anos, o acesso à informação sobre saúde se tornou quase ilimitado. Ao receber um resultado de exame, muitos pacientes buscam imediatamente respostas na internet. Contudo, quando se trata de sistemas como Bi-rads, Ti-rads ou Pi-rads, essa prática requer cautela.
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Essas classificações fazem parte de exames de imagem e são utilizadas para descrever achados e estimar o risco de malignidade com base em critérios técnicos observados em ultrassonografias e ressonâncias magnéticas. Elas ajudam a determinar a probabilidade de uma alteração ser benigna ou necessitar de investigação adicional, orientando a conduta clínica.
Importância do Contexto Clínico
Quando interpretadas fora do contexto adequado, essas classificações podem levar a leituras errôneas, gerando ansiedade desnecessária e decisões prejudiciais, como adiar consultas ou interromper tratamentos. Esses sistemas foram desenvolvidos para padronizar a comunicação entre profissionais de saúde e aprimorar a tomada de decisões clínicas.
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Um laudo organizado por essas classificações permite que diferentes médicos compreendam o mesmo achado com base em critérios objetivos. No entanto, o resultado do exame deve ser analisado em conjunto com dados clínicos que não estão no laudo, como histórico do paciente, sintomas e fatores de risco.
Limitações da Interpretação Rápida
A busca por respostas rápidas fora do ambiente clínico tem sido objeto de estudos recentes. Uma pesquisa da Universidade de Oxford, publicada na revista Nature Medicine em fevereiro de 2026, identificou limitações significativas no uso de ferramentas de inteligência artificial para interpretar informações médicas.
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Os resultados revelaram falhas na precisão das respostas e dificuldades em fornecer orientações adequadas ao público leigo, reforçando a necessidade de cautela. No campo da radiologia, o Bi-rads é utilizado na avaliação das mamas, enquanto o Ti-rads se aplica à análise de nódulos da tireoide.
O Pi-rads, por sua vez, orienta a interpretação em contextos de suspeita clínica.
Classificações e Diagnósticos
Esses sistemas foram estruturados para estimar riscos e sugerir condutas, não para estabelecer diagnósticos definitivos. As categorias variam de 1 a 5, indicando níveis progressivos de suspeita. Resultados classificados como 1 e 2 correspondem a achados benignos, enquanto as categorias 4 e 5 indicam maior grau de suspeita, geralmente levando à indicação de investigação complementar.
É fundamental lembrar que essas classificações não determinam um diagnóstico definitivo. A confirmação ou exclusão de doenças depende de avaliações adicionais, que podem incluir exames complementares e, quando necessário, biópsias. A interpretação isolada pode induzir a conclusões inadequadas sobre a gravidade do quadro.
Avaliação por Especialistas
Diante de qualquer resultado, especialmente nas categorias mais elevadas, a conduta mais segura é a avaliação por um especialista. A leitura correta do exame requer a integração entre o laudo e o contexto clínico do paciente, permitindo decisões mais precisas sobre a necessidade de acompanhamento ou investigação adicional.
Os exames de imagem são parte de um processo diagnóstico mais amplo e não devem ser vistos como conclusões isoladas. Embora os avanços tecnológicos tenham ampliado a capacidade de detecção, a interpretação qualificada continua sendo essencial para garantir um cuidado em saúde responsável.
Texto escrito pelo médico Giovanni Guido Cerri, presidente dos Conselhos dos Institutos de Radiologia (INRAD) e de Inovação Tecnológica (InovaHC), do Hospital das Clínicas da FMUSP.
