Um Olhar que se Transformou: A Cuba que Descobri
Minha trajetória intelectual sempre foi marcada por um certo ceticismo, fruto de uma infância nas periferias brasileiras, onde o trabalho braçal e o senso comum moldaram minhas primeiras impressões sobre o mundo. As narrativas dos grandes meios de comunicação, que se consolidaram ao longo das décadas, pareciam verdades incontestáveis, muitas vezes em detrimento da liberdade de pensamento.
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Por muito tempo, o conceito de Cuba foi filtrado por uma visão negativa, associada a acusações de opressão e assassinatos, reverberando das mídias hegemônicas que me cercavam. Essa percepção, moldada por anos de desinformação, me acompanhou até que, em 2006, tive a oportunidade de conhecer a ilha e, com ela, um povo completamente diferente do que eu imaginava.
A primeira viagem me confrontou com uma sociedade culta, consciente de suas conquistas e desafios, e com um espírito de perseverança admirável. Ao longo de diversas visitas, minhas opiniões sobre figuras como Fidel e Che sofreram uma profunda transformação, impulsionadas pelo contato direto com a realidade cubana.
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Em 2016, um novo choque se apresentou com a chegada de médicos cubanos em nossas periferias, que estabeleceram uma relação médico-paciente baseada na competência e no afeto. Essa experiência, antes inimaginável, revelou uma realidade desconhecida para aqueles que cresceram nas vilas, e me permitiu enxergar Cuba sob uma nova perspectiva.
Conheci diferentes versões de Cuba: a mentira que me foi imposta por anos, a realidade abraçada pelo povo em seu próprio país, e a força do trabalho dos médicos cubanos em cada vila de Porto Alegre. Essa jornada me fez compreender que a verdade nem sempre reside nas narrativas dominantes, e que o conhecimento pode ser transformador.
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Os Estados Unidos, historicamente, têm buscado desmantelar a revolução cubana, temendo o exemplo de uma sociedade construída em torno do ser humano. A defesa das escolhas históricas do povo cubano é um imperativo para a comunidade internacional, e a solidariedade com a ilha se torna ainda mais urgente diante dos ataques incessantes.
Como brasileiros que receberam o atendimento dos profissionais cubanos, temos o dever de apoiar Cuba e demonstrar que a força da solidariedade pode ser revolucionária e inabalável. “Sonhe e serás livre de espírito! Lute e serás livre na vida!” (Ernesto Che Guevara).
*Fabiano Negreiros é advogado e militante comunitário.*
Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.
