Cruzeiro MV Hondius chega a Tenerife após surto de Hantavírus; entenda os próximos passos!

O cruzeiro MV Hondius chega a Tenerife neste domingo, mas não atracará no porto. Entenda os motivos e as medidas de segurança para os passageiros.

Chegada do Cruzeiro MV Hondius a Tenerife

Se tudo ocorrer como planejado, o cruzeiro MV Hondius, que enfrentou um surto de Hantavírus, deve chegar à costa de Tenerife neste domingo (10). No entanto, ao contrário do que se esperava, o navio não irá atracar no porto de Granadilla de Abona, localizado no sul da ilha, mas irá ancorar em águas próximas à cidade, conforme esclareceu Fernando Clavijo, presidente do governo local.

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Essa decisão visa atender a dois objetivos principais: acalmar a oposição inicial gerada pela recepção dos passageiros pelas autoridades do arquipélago, preocupadas com a chegada daqueles que viajaram com um caso a bordo; e minimizar os riscos tanto para a população local quanto para os especialistas que estarão envolvidos na recepção e transferência dos passageiros.

Processo de Avaliação e Repatriação

Os passageiros só poderão desembarcar após serem avaliados por especialistas e quando houver aviões prontos no aeroporto de Tenerife para repatriá-los aos seus países de origem, explicou Clavijo após uma reunião com a Ministra da Saúde, Mónica García.

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O próximo passo será organizar a transferência dos quatorze espanhóis a bordo.

O governo espanhol planeja transportá-los para Madrid em uma aeronave militar especialmente equipada, “com todas as medidas de segurança necessárias para evitar qualquer possível propagação da infecção”, detalhou a ministra da Defesa, Margarita Robles.

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Quarentena e Medidas de Isolamento

Ao chegarem à capital espanhola, os repatriados serão levados diretamente para o Hospital Central de Defesa Gómez Ulla, um hospital militar situado no sudoeste da cidade, onde deverão cumprir vários dias de quarentena. A dúvida que persiste é se essa quarentena será obrigatória.

Robles indicou que o isolamento será voluntário, com os participantes precisando assinar um termo de consentimento, já que isso implicará em permanecer no hospital militar por vários dias.

Entretanto, devido à atenção que a situação está gerando e ao receio de contágio, o Ministério da Saúde está considerando a possibilidade de adotar medidas legais caso algum dos repatriados não siga as regras. “Temos os instrumentos legais baseados em uma lei, a lei orgânica de 1986, que prevê essas situações para proteger a população”, afirmou García em entrevista ao programa “La Hora de la 1”, da televisão espanhola.

Duração da Quarentena e Considerações Finais

Ainda não foi definido o tempo exato da quarentena. Para isso, será levado em conta o período de incubação do hantavírus, que é de aproximadamente 45 dias, conforme explicou García. A dúvida é se esse cálculo incluirá os dias que os passageiros levarão para chegar a Tenerife. “Precisamos determinar isso, também com base nas informações sobre o isolamento no navio e se houve alguma medida de isolamento em vigor”, acrescentou.

Nesse contexto, o governo espanhol está avaliando diversas possibilidades. Entre elas, a possibilidade de que alguns dos quatorze espanhóis que chegarão ao hospital Gómez Ulla possam desenvolver sintomas de hantavírus. A Organização Mundial da Saúde reiterou que o período de incubação é de seis semanas, o que pode resultar em detecções tardias dos casos.

Se isso ocorrer, o Hospital Gómez Ulla possui uma Unidade de Isolamento de Alto Nível (UAAN), com 7 leitos hospitalares separados, permitindo o isolamento completo de pacientes com suspeita ou confirmação de doenças infecciosas de alto risco. Essa unidade foi criada após a detecção de um caso de Ebola em outubro de 2014, que estava ligado à epidemia da doença na África Ocidental, declarada no mesmo ano.