Críticas ao discurso ocidental sobre o Irã! Mulheres iranianas são ignoradas e preconceituadas. Nina Fideles alerta: Ocidente não entende seus problemas. 70% dos estudantes são mulheres! Descubra mais
Após os ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, a cobertura midiática internacional sobre o país persa tem sido marcada por uma crescente carga de preconceitos. Essa intensificação da narrativa, segundo muitos analistas, serve para justificar ações agressivas, especialmente em relação às mulheres iranianas.
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Nina Fideles, diretora-executiva do Brasil de Fato, que realizou uma visita ao Irã em 2023, expressa preocupação com essa tendência.
Fideles enfatiza que o Ocidente não tem a capacidade de solucionar os problemas enfrentados pelas mulheres iranianas e que o uso de discursos carregados de preconceito apenas alimenta o conflito. Ela ressalta a importância de reconhecer a voz e a agência das mulheres iranianas, que desempenham papéis estratégicos na sociedade e representam uma parcela significativa da população estudantil, com 70% dos estudantes universitários sendo mulheres. “É uma outra percepção”, afirma a diretora.
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Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, Fideles relata ter questionado conceitos considerados “naturais” – como liberdade religiosa, intolerância e segurança – após sua viagem ao Irã. Ela destaca que a mídia ocidental frequentemente omite informações sobre o país, e quando o faz, o faz com uma perspectiva enviesada, focando em conceitos abstratos em vez de fatos concretos.
A diretora aborda o tema do uso do hijab pelas mulheres, argumentando que a visão ocidental sobre o assunto é simplista e desconsidera a complexidade histórica e cultural do uso do véu.
Fideles menciona que, durante sua visita, as mulheres iranianas expressaram sua preocupação com a percepção ocidental de que elas seriam infelizes ou deprimidas, ao mesmo tempo em que se defendiam da narrativa hegemônica sobre seu papel na sociedade.
Ela critica o discurso de “libertação” promovido por figuras como Donald Trump, apontando que a cobertura midiática se concentra em iranianos que vivem no exterior e comemoram a guerra, ignorando as manifestações populares contra os ataques.
A diretora ressalta que o Irã enfrenta sanções internacionais há décadas, sendo o país mais sancionado do mundo, superado apenas pela Rússia em termos de sanções. Ela argumenta que existe um forte interesse dos Estados Unidos em deslegitimar o governo iraniano para justificar a violência.
Essa situação se repete em outros países, como Síria, Líbano e Venezuela, onde também há intervenções e sanções americanas.
Para acompanhar o jornal, as edições são veiculadas de segunda a sexta-feira, às 12h e às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea online.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.