Crise no STF faz candidatos de esquerda ao Senado ajustarem discurso de campanha

A disputa pelo Senado ganha peso porque a Casa pode abrir processos de impeachment contra ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes.

Fachada do Supremo Tribunal Federal

Candidatos ao Senado passaram a ajustar o tom dos discursos diante da crise no STF (Supremo Tribunal Federal), defendendo a ideia de que ninguém está acima da lei e que todos devem ser investigados. A movimentação ocorre em meio à avaliação de dirigentes partidários de centro e centro – esquerda, ouvidos sob reserva, de que a crise pode favorecer quem adotar uma postura abertamente contrária à corte.

Ao mesmo tempo, integrantes dessas siglas dizem haver cautela para evitar uma posição “antitudo”. A avaliação interna é que o momento é complexo e envolve uma crise reconhecidamente grave, o que aumenta o receio de transformar o tema em um discurso simplista durante a campanha.

Candidatos testam discurso contra o STF

A disputa pelo Senado ganhou atenção especial porque a Casa tem a prerrogativa de tocar processos de impeachment de ministros do STF. Por isso, candidatos passaram a medir o alcance de declarações sobre a corte e sobre as denúncias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.

Parte deles segue uma linha semelhante à adotada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo próprio petista. O discurso inclui críticas a vazamentos e referências ao caso Dark Horse, que investiga o principal adversário do PT, o senador Flávio Bolsonaro (PL.

Rogério Carvalho (PT – SE), que tenta mais oito anos como senador, defendeu a retirada do sigilo de todas as informações para evitar decisões seletivas. Em entrevista à rádio local Sim FM, ao ser questionado sobre Alexandre de Moraes, afirmou: “Todo ministro do STF tem que cumprir a sua função.

Quem não cumprir deve se submeter aos rigores da lei. Chegou a hora da gente revelar tudo”.

Marina Silva (Rede), candidata ao Senado por São Paulo, adotou uma posição mais dura. Em vídeo produzido pela campanha, classificou como gravíssimas as denúncias sobre Alexandre de Moraes e declarou que o ministro deveria prestar esclarecimentos e se afastar temporariamente.

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Pedidos de investigação e afastamento

Na mesma chapa de Marina na corrida ao Senado, Simone Tebet (PSB) disse estar indignada com as denúncias e apoiou a abertura de uma investigação contra Moraes. Já Marília Campos (PT), candidata ao Senado em Minas Gerais, propôs a criação de um “código de ética” para o STF e cobrou “transparência” da Corte, sem mencionar Alexandre de Moraes.

No Mato Grosso, o ex – ministro Carlos Fávaro (PSD), da Agricultura, candidato ao Senado, foi mais direto e defendeu o afastamento ou o impeachment de Moraes. As posições mostram que os candidatos têm buscado diferentes formas de abordar o caso, sem necessariamente adotar uma oposição completa ao STF.

Marqueteiros de campanhas do campo governista ouvidos pela CNN avaliam que o conflito no STF não deve ser tratado como uma pauta exclusiva da esquerda ou da direita. Para eles, trata – se de uma crise institucional. Na condição de presidente, Lula acaba sofrendo mais desgaste porque é visto pelo eleitor como o “sistema”.