Crise no Irã: Descontentamento e Repressão
O Irã enfrenta uma das crises mais sérias de sua história recente, marcada por um descontentamento popular crescente, repressão governamental e um colapso econômico que coloca em dúvida a estabilidade do regime dos aiatolás. Nos últimos anos, os iranianos viram seu poder de compra reduzir em mais de 90%, com a moeda nacional desvalorizando 72% em relação ao dólar, sendo 56% apenas nos últimos seis meses.
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Essa situação, agravada por sanções internacionais, especialmente as impostas pelos Estados Unidos, gerou um ambiente de profunda insatisfação. Os protestos contra o regime foram respondidos com brutalidade, resultando em estimativas de organizações de direitos humanos que apontam entre 3.400 e 6.200 mortes durante as manifestações.
Relatos indicam que necrotérios ficaram superlotados, com muitos corpos não identificados e famílias impedidas de realizar velórios adequados.
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Pontos Críticos da Crise
Especialistas apontam que o Irã possui praticamente todos os elementos que poderiam levar a uma mudança de regime: uma crise econômica severa, fragilidade militar após derrotas recentes, deslegitimação do governo e um isolamento internacional sem precedentes.
Contudo, dois fatores principais dificultam uma transição política efetiva.
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O primeiro é a falta de uma oposição organizada e unificada que possa canalizar o descontentamento popular. Alguns manifestantes chegaram a pedir o retorno da monarquia, evidenciando a fragmentação das forças de oposição. O segundo fator é a natureza militarizada do regime iraniano, que funciona como uma ditadura militar, com a Guarda Revolucionária profundamente envolvida na segurança e na economia do país.
Influência Externa e Respostas do Regime
Historicamente, o regime iraniano tem reagido a pressões internas e externas com ciclos de abertura e fechamento político. Quando as sanções econômicas se intensificaram no passado, o país permitiu a eleição de reformistas, como Hassan Rohani, que negociou o acordo nuclear com o governo Obama.
Após a ruptura desse acordo em 2018, o regime endureceu novamente.
A recente eleição do reformista Masoud Pezeshkian como presidente poderia indicar uma nova abertura para negociações com os Estados Unidos durante o governo Biden. No entanto, com a vitória de Trump nas eleições americanas, a tensão pode aumentar novamente.
Apesar da repressão ter temporariamente contido as manifestações, a crise persiste e o regime se encontra significativamente mais fraco do que há um ano.
