Crise no Financiamento da Agropecuária: O Que Diz Márcio Lopes de Freitas?

O financiamento da agropecuária no Brasil enfrenta uma transformação radical! Descubra como as cooperativas estão se adaptando e quais os desafios à frente

5 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Desafios do Financiamento da Agropecuária no Brasil

A capacidade do setor público brasileiro de financiar a agropecuária está sendo questionada devido às prioridades governamentais. As cooperativas do país avaliam que o modelo atual está passando por uma transformação estrutural, com um aumento na participação do mercado de capitais e de instrumentos privados, enquanto o crédito público perde sua relevância.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Embora o crédito público ainda seja uma referência em taxas e diretrizes, ele não é mais o principal motor do financiamento da produção.

“Estamos enfrentando dificuldades. A capacidade dos governos de fornecer crédito para a agricultura brasileira está diminuindo. Isso não se deve apenas à incompetência, mas também à impotência. Os governos têm outras prioridades”, declarou Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), durante uma apresentação da agenda do setor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Atualmente, o Tesouro Nacional destina cerca de R$ 13 bilhões para equalizar juros, enquanto a agropecuária movimenta cerca de R$ 2 trilhões, com a diferença sendo suprida por operações privadas, como barter e crédito de fornecedores.

Avanços e Desafios do Setor

Freitas destacou que o avanço desse novo modelo depende de condições essenciais, como segurança jurídica e instrumentos de mitigação de risco. “As maiores cooperativas já estão operando na B3, emitindo títulos, inclusive internacionais. Essa é a tendência.

LEIA TAMBÉM!

Precisamos garantir segurança jurídica e um bom seguro. Se a cooperativa for bem gerida, sempre haverá interesse em investir no agro brasileiro”, enfatizou.

Esse movimento já é perceptível tanto no governo quanto no mercado. Dados do Ministério da Agricultura indicam que o estoque de instrumentos como CPR (Cédula de Produto Rural), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) já ultrapassa R$ 1,4 trilhão no Brasil, aumentando a participação do mercado de capitais no financiamento da produção.

Técnicos e membros da Esplanada acreditam que a diversificação das fontes de recursos se tornou uma necessidade devido às limitações fiscais e ao aumento do custo do crédito público.

Impactos na Renda dos Produtores

Essa transformação ocorre em um contexto de queda de renda e maior vulnerabilidade financeira no campo. Freitas observou que a combinação da queda nos preços das commodities com custos elevados reduziu a margem de lucro, especialmente para pequenos produtores que enfrentam choques recentes, como a guerra no Oriente Médio. “A perda de renda no setor agrícola é significativa.

Há dois anos, vendíamos soja a R$ 200, e agora está a R$ 110. Com os custos em alta, o produtor está sob pressão”, afirmou.

Ele também mencionou que esse cenário já exige ajustes, afetando mais intensamente os pequenos produtores, que precisam de maior apoio das cooperativas. “Os menos eficientes estão enfrentando problemas, e essa parcela não é pequena. Precisamos alongar prazos e renegociar para dar fôlego até que eles se ajustem”, disse Freitas.

Dependência de Insumos e Vulnerabilidades

A dependência de insumos importados para as cadeias produtivas se torna um risco estrutural para o agro brasileiro. Tânia Zanella, presidente executiva da OCB, ressaltou que essa situação expõe fragilidades que precisam ser abordadas com políticas estruturantes. “Em tempos de guerra e instabilidade geopolítica, percebemos a necessidade de desenvolver uma política estruturante no Brasil.

O país ainda é muito dependente de fertilizantes importados”, afirmou.

Ela enfatizou a importância de discutir alternativas domésticas e diversificar fontes de suprimento. “É fundamental trazer essa discussão para o Brasil, buscando iniciativas locais que possam contribuir para a autossustentação do país nessa área”, completou.

O Papel das Cooperativas no Novo Modelo

Com o aumento dos custos de crédito e a maior participação do mercado, as cooperativas estão se tornando ainda mais essenciais como intermediárias entre produtores e financiamento. Atualmente, cerca de 54% da produção agropecuária é originada por cooperativas, que oferecem crédito, insumos, armazenagem e comercialização.

Nesse cenário, o cooperativismo tende a se fortalecer como um canal de acesso a recursos e organização da produção.

“As cooperativas desempenham um papel significativo no setor agropecuário. Hoje, 54% da originação vem de cooperativas, e também estamos vendo um crescimento nas nossas agroindústrias”, afirmou Zanella.

Agenda do Setor para 2026

Em resposta a esse diagnóstico, o setor apresentou sua agenda institucional para 2026, focando em instrumentos que reduzam riscos e aumentem a previsibilidade. O seguro agrícola é uma das principais prioridades, especialmente diante do aumento do endividamento e da volatilidade. “O seguro agrícola é fundamental, não apenas para nossos cooperados, mas para todo o agronegócio brasileiro.

O projeto atualmente na Câmara pode mudar significativamente o panorama de endividamento do setor”, destacou Zanella.

A agenda também inclui a manutenção e ampliação do crédito rural, o estímulo a instrumentos privados de financiamento, políticas para reduzir a dependência de fertilizantes e investimentos em logística e armazenagem.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

Sair da versão mobile