A partir desta quarta-feira (1º de abril de 2026), governos ao redor do mundo estão implementando medidas emergenciais para mitigar os efeitos da disparada nos preços do petróleo, desencadeada pela escalada das tensões no Oriente Médio. O aumento das hostilidades envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel causou instabilidade em uma das principais rotas globais de escoamento de petróleo, responsável por cerca de um quinto da produção mundial.
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Incidentes com embarcações e restrições ao tráfego na área resultaram na redução da circulação da commodity e pressionaram os preços internacionais. Diante desse cenário, diversos governos buscaram intervir para amortecer os impactos, como demonstrado pelas ações em curso.
O Brasil iniciou a implementação de um novo plano para reduzir o custo do diesel importado, conforme anunciado pelo Ministério da Fazenda. A proposta substitui a ideia inicial de desoneramento do imposto sobre o diesel importado, adotando um modelo de subsídio direto aos importadores, com divisão igual dos custos entre a União e os estados.
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O ministro responsável destacou a importância de agilizar a aplicação da política. O ICMS médio sobre o diesel importado gira em torno de R$1,20 por litro, valor que será compensado por aportes de cerca de R$0,60 de cada esfera de governo. A medida terá validade até maio, e os estados devem apresentar suas respostas à proposta nos próximos dias.
O governo estima um impacto fiscal de aproximadamente R$3 bilhões por mês, equivalente a uma isenção tributária.
O modelo de subsídio direto aos importadores visa facilitar o acesso ao diesel importado, reduzindo o custo para os consumidores e empresas. A divisão igual dos custos entre a União e os estados busca garantir a sustentabilidade da medida e evitar conflitos de interesse.
A expectativa é que a ação contribua para estabilizar os preços e mitigar os impactos da crise energética.
O governo do Japão decidiu flexibilizar, por um ano, as regras para ampliar o uso de usinas termelétricas a carvão. A decisão, anunciada pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria, suspende temporariamente o limite de utilização para usinas a carvão menos eficientes, visando reduzir a dependência do GNL (gás natural liquefeito), cujo abastecimento foi afetado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
O país mantém estoques de cerca de 4 milhões de toneladas de GNL, mas adotou medidas adicionais, como a liberação de reservas de petróleo, subsídios à gasolina e a busca por fornecedores alternativos.
Além do Brasil e do Japão, outros países também estão implementando medidas para conter a alta dos combustíveis. A Rússia estuda a proibição das exportações de gasolina, enquanto Portugal propôs um subsídio temporário ao diesel para setores-chave.
A Alemanha aprovou medidas para limitar o aumento de preços dos combustíveis, e a Noruega reduziu os impostos sobre gasolina e diesel. A Austrália anunciou um pacote emergencial para garantir o abastecimento e reduzir o imposto sobre combustíveis.
A escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã, evidenciada por declarações de Donald Trump, também influenciou as decisões dos governos.
O governo de Portugal propôs um subsídio temporário ao diesel, com 10 cêntimos de euro por litro para setores como agricultura, transporte público, pesca e táxis. A medida só será acionada se os preços do diesel permanecerem 10 cêntimos acima da média de março.
O custo estimado da iniciativa é de 450 milhões de euros ao longo de 3 meses.
A Alemanha aprovou medidas para limitar o aumento de preços dos combustíveis, permitindo apenas um aumento de preço por dia, no meio-dia. A regra faz parte de um pacote que também aplicará multas de até 100 mil euros para descumprimento. O projeto conta com o apoio de diversos partidos e busca aumentar a transparência na formação de preços.
Após semanas de tensão entre os dois países, Donald Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o Irã. Posteriormente, Trump declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma catástrofe.
Em 24 de fevereiro, Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “asquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. As declarações de Trump foram feitas enquanto o governo americano negociava com o Irã, sem resultado.
Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.
