Crises Geopolíticas e a Complexidade da Transição Energética
A escalada de conflitos geopolíticos em escala global, como os que se intensificam no Oriente Médio, envolvendo o Irã e a ofensiva de Israel-Estados Unidos, acirram a preocupação com o abastecimento de energia, especialmente o petróleo. Essa situação elevou a importância da questão energética na agenda de governos, instituições e empresas em todo o mundo.
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O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e a ameaça de bloqueio do estreito de Bab Al-Mandab, por iniciativa do movimento Ansarullah do Iêmen, intensificam ainda mais a volatilidade dos preços internacionais do petróleo, um fator crucial para a instabilidade política, social, econômica e diplomática da região.
Em março de 2026, os preços do barril de petróleo e do gás atingiram quase US$ 120,00, um aumento significativo em relação ao dia anterior, evidenciando a sensibilidade do mercado a eventos geopolíticos. Essa dinâmica ressalta a necessidade urgente de repensar a dependência mundial dos combustíveis fósseis, especialmente diante da crise climática global.
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A discussão sobre uma transição energética se torna, portanto, central para a busca de soluções sustentáveis e para mitigar os impactos ambientais.
Apesar da urgência, a resposta a essa crise revela padrões históricos. A guerra entre a Ucrânia e a Rússia, que se estende até o presente, demonstra como a dependência energética pode exacerbar conflitos e gerar novas dinâmicas de poder. A transição energética, nesse contexto, muitas vezes se torna uma ferramenta para a expansão do capital, com a transferência de custos para países em desenvolvimento, como visto no New Green Deal.
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Contradições na Transição Energética
A transição energética, quando implementada, frequentemente apresenta contradições. A dependência contínua dos combustíveis fósseis, apesar da crescente conscientização sobre seus impactos, demonstra uma falha na descarbonização. No Brasil, por exemplo, entre 2022 e 2023, os subsídios aos combustíveis fósseis superaram em muito os investimentos em fontes renováveis, evidenciando uma “adição energética” em vez de uma transição real.
O “Pacto para a Transformação Ecológica” do Brasil, com seus sete compromissos, prioriza mercados de biocombustíveis e crédito de carbono, sem questionar o modelo vigente de exploração de combustíveis fósseis. Projetos de usinas eólicas e solares são implementados, mas a matriz energética continua dependente de fontes não renováveis.
Essa abordagem, centrada na tecnologia e no mercado, perpetua a lógica capitalista de produção e consumo, com impactos ambientais significativos, como a supressão da vegetação e a degradação da fauna e flora.
Desafios e Resistências
A corrida pela transição energética no Brasil já gera impactos em territórios, com a criação de “Grandes Projetos de Desenvolvimento” que alteram o uso do solo, deslocam populações e promovem novos impactos ambientais. O Movimento dos Atingidos pelas Renováveis (MAR) emerge como uma voz de resistência, denunciando a “transição energética justa” que se almeja, e defendendo uma transição que considere as necessidades e os direitos das comunidades locais.
A luta por uma transição energética justa e climática, que leve em conta as particularidades dos territórios, se torna, portanto, um desafio central. É fundamental questionar o modelo vigente e buscar alternativas que promovam a justiça social e a sustentabilidade ambiental, em vez de simplesmente acelerar os lucros para o sistema capitalista.
A discussão sobre essa transição deve ser feita a partir e com os territórios, reconhecendo a complexidade das relações entre energia, desenvolvimento e justiça social.
