A Guatemala vive uma grave crise de segurança sob Bernardo Arévalo, com ataques de gangues resultando em mortes de policiais e motins em prisões.
A Guatemala enfrentou uma das suas maiores crises sob a administração de Bernardo Arévalo. Durante a semana, pelo menos nove policiais perderam a vida e vários outros ficaram feridos em ataques atribuídos a gangues, após motins em diversas prisões que exigiram a intervenção das forças de segurança.
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Arévalo acredita que a onda de violência possui conotações políticas e visa desestabilizar seu governo em um ano crucial, quando ocorrerá a renovação de cargos importantes, como os do Ministério Público e do Tribunal Supremo Eleitoral.
Em resposta à crise, o governo decretou um estado de sítio com duração de 30 dias. Essa medida permite que as autoridades detenham suspeitos sem autorização judicial, proíbam o porte de armas e limitem reuniões ao ar livre, mesmo aquelas previamente autorizadas, caso envolvam armas ou violência.
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O objetivo é assegurar a segurança da população, sem comprometer suas atividades diárias.
Nesta segunda-feira, as aulas foram suspensas e algumas instituições, como a Suprema Corte de Justiça, cancelaram suas atividades por questões de segurança. Além disso, a polícia realizou operações de busca e apreensão, resultando na prisão de várias pessoas supostamente ligadas aos ataques, incluindo a apreensão de dois fuzis.
A crise teve início no sábado, com motins simultâneos em três prisões, onde os detentos exigiam melhorias nas condições carcerárias. O Ministério do Interior informou que os motins foram organizados por membros da gangue Barrio 18, liderados por Aldo Dupié Ochoa, conhecido como “El Lobo”.
O ministro do Interior, Marco Antonio Villeda, afirmou que não cederá a privilégios para resolver a situação.
Após a tensão, as autoridades conseguiram retomar o controle das prisões. O governo acredita que as ações violentas, embora perpetradas por gangues, foram orquestradas por estruturas políticas que buscam desestabilizar a administração de Arévalo.
O presidente Arévalo destacou que as torres de corrupção que sustentaram o crime organizado estão em colapso. O ano de 2026 é fundamental para sua gestão, com as renovações de cargos públicos em diversas áreas. Alejandro Balsells, analista da Secretaria-Geral da Presidência, comentou que a segurança é vista como uma batalha político-eleitoral, com grupos utilizando a violência para promover alternativas eleitorais.
Arévalo afirmou que os motins e ataques visam semear o terror, mas seu governo não fará acordos com o crime organizado. Ele enfatizou que a violência não é uma reação desordenada, mas sim resultado de estruturas político-criminais. O governo se compromete a tomar medidas rigorosas durante o estado de sítio para evitar que grupos criminosos realizem novas ações desse tipo.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.