Crime organizado movimenta R$ 1 trilhão em criptomoedas em 2025, revela Chainalysis
O relatório da Chainalysis destaca um crescimento alarmante nas operações de lavagem de dinheiro por organizações criminosas
Um relatório recente revela que o crime organizado movimentou aproximadamente R$ 1 trilhão de forma ilegal por meio de criptomoedas em todo o mundo durante o ano de 2025. Esse montante representa um crescimento de 161% em comparação ao ano anterior.
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A análise foi realizada pela Chainalysis, uma empresa líder em inteligência e investigação no setor de blockchain, e divulgada na quinta-feira, 18 de janeiro de 2026. Segundo o estudo, esses dados evidenciam um amadurecimento nas ameaças relacionadas à lavagem de dinheiro.
A profissionalização do crime organizado
A Chainalysis enfatiza que a atividade criminosa relacionada às criptomoedas se tornou consideravelmente mais profissional desde 2020. “Organizações ilícitas agora estão desenvolvendo uma infraestrutura compartilhada dedicada, e atores estatais estão se integrando a esse ecossistema de maneira sem precedentes”, destaca um trecho do relatório.
O valor total recebido por endereços associados a atividades ilegais atingiu US$ 154 bilhões (aproximadamente R$ 800 bilhões) em 2025, um aumento significativo em relação aos US$ 59 bilhões (cerca de R$ 300 bilhões) registrados em 2024 e apenas US$ 11 bilhões (cerca de R$ 57 bilhões) em 2020.
O documento mostra que os responsáveis pelas transações ilegais se tornaram muito mais sofisticados. Facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), têm utilizado o mercado de criptoativos para lavar seus recursos obtidos ilegalmente, conforme já reportado anteriormente por fontes confiáveis.
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Principais categorias de lavagem de dinheiro no Brasil
No contexto brasileiro, o relatório aponta três categorias que dominam as operações globais: as Redes de Lavagem de Dinheiro Operadas em Língua Chinesa (CMLNs), que oferecem serviços de lavagem de dinheiro para diversas atividades ilícitas; a evasão de sanções, que cresceu para cerca de US$ 104 bilhões em 2025, aumentando em impressionantes 694% em relação ao ano anterior; e o tráfico de drogas, que continua sendo uma constante no cenário das criptomoedas ilegais na América Latina.
Além disso, o Brasil se posiciona como o maior mercado de criptomoedas da América Latina e um dos mais dinâmicos do planeta. Entre julho de 2024 e junho de 2025, o país recebeu aproximadamente US$ 318 bilhões (R$ 1,64 trilhão) em valor on-chain, representando cerca de um terço do total movimentado na região.
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O relatório alerta sobre a convergência dessas ameaças no Brasil, destacando quatro pontos principais relacionados à situação crítica do país: seu papel como corredor e destino do tráfico internacional de drogas; a conexão das exchanges brasileiras com redes globais de lavagem; a crescente visibilidade dos fluxos relacionados à Rússia; e a aparição de serviços fraudulentos associados ao crime organizado.
A Chainalysis ressalta que essas informações refletem a natureza global do crime organizado. “Redes que operam através das fronteiras direcionam fundos por qualquer rampa que ofereça acesso”, afirmam os analistas, destacando que o grande mercado brasileiro torna-o um alvo atrativo para essas operações ilícitas.
Com a implementação do novo regime regulatório para empresas de criptomoedas a partir de fevereiro de 2026, espera-se que o Banco Central enfrente seu primeiro teste real quanto à supervisão das exchanges e intermediários no combate a essas atividades ilegais.
As obrigações regulatórias começaram a vigorar em maio e um prazo para licenciamento foi estabelecido até outubro deste ano.