Crescimento da Economia da Zona do Euro no Quarto Trimestre de 2025
A economia da zona do euro apresentou um crescimento superior ao esperado no quarto trimestre de 2025, impulsionada pelo aumento do consumo e dos investimentos. Esses fatores compensaram as exportações fracas e a incerteza gerada pela política comercial dos Estados Unidos, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Eurostat.
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Os números indicam uma resiliência impressionante para um bloco de 350 milhões de pessoas, que enfrentava a expectativa de dificuldades devido à guerra comercial com os EUA, à crescente concorrência das exportações chinesas e aos conflitos militares na fronteira oriental.
Apesar disso, a zona do euro registrou um crescimento respeitável ao longo de 2025, mesmo com a indústria e as exportações, que antes eram os principais motores da economia, enfrentando desafios para retomar seu ritmo.
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Resultados do Quarto Trimestre
No quarto trimestre, a economia do bloco cresceu 0,3% em relação ao trimestre anterior, superando a expectativa de 0,2% de uma pesquisa da Reuters. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, a expansão foi de 1,3%, acima da projeção de 1,2%.
A Espanha se destacou como o principal motor do crescimento, com uma alta de 0,8% no quarto trimestre, superando as previsões.
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A Alemanha, a maior economia da zona do euro, também mostrou sinais de recuperação, com um crescimento de 0,3%, acima da estimativa de 0,2%. O economista Carsten Brzeski, do ING, destacou que, embora o desempenho da Alemanha seja modesto, representa o melhor resultado trimestral em três anos.
A Itália também superou as expectativas, com um crescimento de 0,3%, enquanto a França, afetada por instabilidades políticas, cresceu 0,2%, conforme previsto.
Desafios e Perspectivas para 2026
A Irlanda, por outro lado, teve um impacto negativo nas estatísticas do bloco, devido à contração acentuada em seu setor multinacional, embora isso seja mais um efeito estatístico do que uma verdadeira contração econômica. Outros dados sugerem que a zona do euro começou 2026 em uma posição relativamente forte, com um aumento inesperado na confiança, especialmente na França e na Alemanha.
A indústria está mostrando sinais de estabilização, e as famílias começaram a reduzir sua taxa de poupança historicamente alta. O desemprego permanece próximo de níveis recordes, e a inflação está estável em torno da meta de 2% do Banco Central Europeu.
As perspectivas são ainda mais otimistas com o aumento dos gastos da Alemanha em infraestrutura e defesa, que, embora demore a se concretizar, terá um impacto positivo no crescimento a partir do segundo trimestre.
Entretanto, a recuperação total das exportações pode levar tempo, devido às tarifas dos EUA, à crescente concorrência da China e à queda do dólar no último ano, que indicam uma mudança nos padrões comerciais. Isso coloca a responsabilidade sobre a economia interna para encontrar novas fontes de crescimento.
Economistas acreditam que o consumo e o comércio intra-UE ainda têm potencial, mantendo as perspectivas otimistas.
Projeções apontam para um crescimento entre 1,2% e 1,5% nos próximos anos, próximo ao potencial do bloco. Essa situação coloca o BCE em uma posição confortável, com a inflação na meta, taxas de juros em nível neutro e crescimento alinhado ao potencial, uma combinação que alguns especialistas chamam de “nirvana do banco central”.
Assim, investidores esperam taxas de juros estáveis ao longo do ano, a menos que novos choques alterem essa perspectiva.
