A economia da China cresce 5% em 2025, superando expectativas, mas enfrenta desafios no quarto trimestre e no setor imobiliário. O que esperar para 2026?
A economia da China registrou um crescimento de 5% em 2025, atingindo a meta oficial estabelecida por Pequim. Esse resultado superou levemente as expectativas de analistas, que projetavam uma expansão de 4,9%, e reafirmou o ritmo de crescimento da segunda maior economia do mundo.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O avanço econômico foi impulsionado principalmente pelas exportações e pela indústria manufatureira, em um ano marcado pela resiliência do setor externo. Apesar das tensões comerciais, os exportadores chineses conseguiram aumentar sua presença em mercados fora dos Estados Unidos, resultando em um superávit comercial recorde de quase US$ 1,2 trilhão em 2025.
Embora o desempenho anual tenha sido positivo, os dados mais recentes indicam uma perda de fôlego no final do ano. No quarto trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 4,5% em comparação anual, desacelerando em relação aos 4,8% do trimestre anterior.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Esse resultado ficou próximo da projeção do mercado, que esperava um avanço de 4,4%, marcando o crescimento trimestral mais fraco em três anos.
Na comparação trimestral, o PIB subiu 1,2% entre outubro e dezembro, superando a expectativa de 1,0%, mas ainda refletindo um ritmo moderado de expansão. Analistas apontam que essa desaceleração sugere que a China deve começar 2026 com um impulso econômico reduzido, sem sinais claros de recuperação no curto prazo.
A fraqueza da demanda interna continua sendo um dos principais desafios. O consumo e os investimentos perderam força, afetados por uma crise prolongada no setor imobiliário e um ambiente de baixa confiança. Em 2025, o investimento em ativos fixos caiu 3,8%, a primeira queda anual desde 1996, enquanto o investimento imobiliário despencou 17,2% no ano.
Os indicadores de dezembro reforçam esse cenário desigual. A produção industrial cresceu 5,2% na comparação anual, acelerando em relação a novembro, mas as vendas no varejo avançaram apenas 0,9%, abaixo das expectativas do mercado. Esse desempenho fraco do consumo evidencia as dificuldades em estimular a demanda interna.
Segundo Kang Yi, chefe do Departamento Nacional de Estatísticas, o crescimento econômico de 2025 foi “conquistado com muito esforço”, enfrentando desafios como oferta elevada e demanda insuficiente. O enfraquecimento do mercado imobiliário e as pressões deflacionárias continuam a impactar a economia.
O cenário externo também apresenta incertezas para 2026. O aumento do protecionismo global e as políticas comerciais imprevisíveis dos Estados Unidos, incluindo ameaças de novas tarifas, elevam os riscos para a economia chinesa, que depende fortemente da demanda externa.
Para sustentar o crescimento, o banco central da China iniciou cortes direcionados nas taxas de juros e sinalizou a possibilidade de novas reduções nas exigências de reservas bancárias. Em dezembro, líderes chineses reafirmaram o compromisso com uma política fiscal “proativa” e indicaram a meta de buscar novamente um crescimento em torno de 5% neste ano.
Além disso, Pequim prometeu aumentar significativamente a participação do consumo das famílias na economia nos próximos cinco anos. Atualmente, o gasto das famílias representa menos de 40% do PIB chinês, bem abaixo da média global, o que exige avanços na renda, no emprego e na rede de proteção social.
Apesar das dificuldades, o mercado reagiu de forma contida aos dados. O yuan se manteve estável após atingir o maior patamar em 32 meses antes da divulgação, enquanto o índice Shanghai Composite se recuperou de perdas iniciais e fechou em alta. O desempenho de 2025 confirma a capacidade de resistência da economia chinesa, mas também evidencia um crescimento desigual, com forte dependência do setor externo e desafios estruturais que devem continuar a ser debatidos em 2026.
Autor(a):
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.