Cracolândia: Resistência e Desafios no Centro de SP!
Operações policiais dispersam usuários, mas a luta persiste.
Grupos menores surgem em SP, dificultando o apoio.
“Estado não gosta”, dispara Jurandir Emídio, do Pagode na Lata.
Cultura é resistência: Cine Fluxo busca transformação!
As diversas operações policiais que retiraram pessoas em situação de uso abusivo de substâncias químicas do chamado fluxo da Cracolândia, que nos últimos anos estava localizado na Rua Protestantes, no centro de São Paulo (SP), deixaram sequelas pela região.
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Apesar dos esforços, a atual dinâmica mostra que diversos grupos menores se espalharam por várias ruas do estado de São Paulo. Sem um ponto fixo de concentração, vigiadas constantemente pela polícia, as pessoas vão de um lado para o outro, como se movessem em um pingue-pongue.
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A ausência de um local central de concentração dificulta o trabalho de profissionais de saúde e assistência social, que dependem de um ponto de contato para oferecer suporte. Desde a dispersão, a situação se tornou mais complexa, com os usuários se aglomerando em pequenos grupos no Terminal Princesa Isabel, no Glicério e no Parque Dom Pedro II.
Jurandir Emídio, integrante do grupo Pagode na Lata, que levava rodas de samba ao fluxo, descreve a situação como “não se pode ficar na porrada, porque o Estado não gosta”, evidenciando a dificuldade de estabelecer vínculos e oferecer apoio em um ambiente marcado pela vigilância policial.
Em meio à dispersão, alguns coletivos buscaram manter suas atividades culturais como forma de resistência e de oferecer um espaço de acolhimento. O Cine Fluxo, por exemplo, utilizava o teatro de contêineres para realizar oficinas, aulas e atividades de conscientização, com o objetivo de diminuir o uso de substâncias e promover a inclusão social.
Renatinho, dançarino e integrante do Cine Fluxo, destaca a importância da cultura como ferramenta de transformação, lamentando que o poder público “não entenda o poder da cultura”, que ela “acham que é na porrada que se conseguem as coisas”.
Outro coletivo que promovia ações culturais no fluxo, além de oferecer moradia e tratamento aos usuários, era o Teto Trampo Tratamento (TTT). Após o esvaziamento do fluxo, o coletivo mudou sua sede para a região da Bela Vista, onde oferece serviços de moradia, educação financeira e qualificação profissional em parceria com a prefeitura.
Lydia Gama, coordenadora do TTT, denuncia a violência estatal, afirmando que “você percebe a lógica do Estado de não poder ficar parado em algum lugar”.
A estratégia de revitalização do centro de São Paulo, promovida pelas gestões municipal e estadual, tem avançado sobre territórios históricos de resistência cultural e social. No entanto, para os coletivos que atuam no território, essa transformação representa uma ameaça, pois prioriza a infraestrutura em detrimento do tecido social existente.
Lucas Beda, ator e produtor da Cia Mungunzá, descreve o cenário como “esterilização”, argumentando que a transformação do centro está apagando suas próprias referências de afeto e cuidado.
Apesar dos desafios, os coletivos continuam a oferecer apoio aos usuários, buscando construir vínculos e promover a inclusão social. MC Jo, beneficiária da associação, relata que a possibilidade de ter uma cama, uma televisão e um lugar para tomar banho e dormir tem contribuído para a redução do seu vício.
A comunidade do TTT também continua nas ruas, oferecendo apoio e orientação aos usuários, mesmo diante da repressão policial.
Em maio de 2025, a GCM e a Polícia Militar passaram a impedir de vez a entrada e saída de pessoas do fluxo, que ficavam confinadas por gradis e atrás de um muro construído pela própria prefeitura. O esvaziamento, no entanto, teria ocorrido a custo de muita violência, segundo Roberta Costa, antropóloga, redutora de danos e integrante da organização A Craco Resiste.
Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.