Pela segunda vez, o ex-governador não compareceu à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, nesta terça-feira, dia 7, no Senado Federal. A situação ganhou novos contornos após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, tornar a presença do investigado facultativa na última sexta-feira, dia 3.
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O senador Fabiano Contratado (PT-ES) manifestou críticas à decisão do ministro, argumentando que tais determinações afetam diretamente o andamento e a apuração dos fatos investigados. O relator enfatizou a necessidade de questionar a impunidade, declarando: “É isso que tem que ser questionado ‘quem nada deve nada teme’, eu sempre falo isso”.
Durante a sessão, o presidente do colegiado leu a decisão do ministro do STF. Contratado também comunicou que a defesa informou que Ibaneis não compareceria à CPI devido à desobrigatoriedade. O trecho da decisão de André Mendonça estabeleceu que: “afasto a obrigatoriedade de comparecimento, transmudando a facultativa, deixando a cargo peticionário a decisão de comparecer ou não à CPI do crime organizado”.
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O senador questionou a aparente desigualdade no tratamento dado pelo Poder Judiciário. Ele apontou que, quando se trata de ações contra pessoas de menor poderio, as leis parecem funcionar de maneira contundente. Contudo, ao investigar condutas de agentes políticos, ele sentiu que precisava se curvar às decisões judiciais, que não são passíveis de debate.
Contratado afirmou ainda que a assessoria jurídica do Senado está trabalhando para recorrer de todas as decisões que, em sua visão, estão inviabilizando as investigações. O senador protestou contra o que considerou um padrão de decisões, citando exemplos como a não obrigatoriedade de comparecimento de testemunhas ou a invalidação de transferências de sigilo.
Os documentos da CPI indicam que o ex-governador está envolvido em dois eixos principais de investigação. Um eixo trata de questões financeiras, enquanto o outro foca no papel institucional que ele exerceu em decisões estratégicas do Banco de Brasília (BRB).
As operações do BRB com o Banco Master estão no cerne das apurações. Além disso, o material detalha transações financeiras envolvendo o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria, fundado pelo ex-governador. Essas cessões de créditos, realizadas entre 2018 e 2024, somam aproximadamente R$ 155 milhões.
Parte dessas movimentações financeiras teria ocorrido com entidades ligadas ao Banco Master e ao Grupo Reag Investimentos, ambos sob investigação. Isso reforça o interesse da CPI em esclarecer a natureza exata dessas complexas relações econômicas.
A controvérsia sobre a obrigatoriedade de comparecimento e as divergências judiciais continuam sendo pontos centrais no debate público. A CPI segue investigando os laços financeiros e institucionais que ligam o ex-governador a instituições financeiras sob escrutínio.
Autor(a):
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.
