Cortes na geração de energia renovável pelo ONS impactam investimentos no Brasil
Cortes na geração de energia renovável pelo ONS elevam riscos percebidos por investidores, afetando a avaliação de ativos e a captação de recursos no Brasil
Cortes na Geração de Energia Renovável Impactam Investimentos no Brasil
Os cortes na geração de energia eólica e solar, conhecidos como “curtailment”, determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), estão mudando a forma como os investidores percebem os riscos associados aos projetos de energia renovável no Brasil.
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Essa alteração tem refletido tanto no valor de mercado das empresas do setor quanto na sua capacidade de captação de recursos.
Anderson Brito, chefe de banco de investimento do UBS BB, destacou em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN, que o mercado já está considerando esse novo risco na avaliação dos ativos de geração renovável, especialmente nas áreas de energia eólica e solar.
Ele observou que, embora os riscos relacionados à construção dos projetos tenham aumentado em comparação com uma década atrás, a principal preocupação dos investidores atualmente se concentra no desempenho operacional dos ativos, que inclui o ambiente de contratação da energia, o risco de despacho e a quantidade efetivamente gerada e comercializada.
Aumento da Taxa de Desconto e Seus Efeitos
Brito ressaltou que a taxa de desconto aplicada a projetos solares e eólicos está crescendo em relação àquela utilizada para hidrelétricas. Um aumento nessa taxa resulta na diminuição do valor presente dos fluxos de caixa futuros dos projetos, o que pressiona a avaliação das empresas e dificulta a obtenção de financiamentos ou novos investimentos.
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Nos últimos anos, o tema do “curtailment” ganhou destaque com a frequência crescente desses episódios.
Embora a interrupção da produção de energia seja uma decisão operacional do sistema, os empreendedores afirmam que isso resulta em perda de receita e demandam compensações financeiras. Embora ainda não haja relatos de insolvência diretamente relacionados a esse problema, algumas empresas já enfrentam dificuldades financeiras devido à diminuição das receitas e ao descumprimento de covenants, que são condições estabelecidas em contratos de financiamento.
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Prejuízos e Possíveis Compensações aos Consumidores
Dados recentes indicam que os prejuízos acumulados ultrapassam R$ 4 bilhões. Para mitigar essas perdas, há propostas para a criação de mecanismos de ressarcimento. Caso essas compensações sejam implementadas, o custo provavelmente será repassado aos consumidores de energia, uma vez que o ressarcimento tende a ser realizado por meio do Encargo de Serviços do Sistema (ESS), um mecanismo que cobre os custos operacionais do sistema elétrico e que é pago pelos consumidores nas tarifas de energia.