Coronel “Dr Bruno”: Revelações Chocantes da “Casa da Morte” e Operação de Terror

Revelações Chocantes da “Casa da Morte”: Um Legado de Crimes e Segredos
O coronel Cyro Etchegoyen, figura enigmática e controversa, emerge da história como um dos principais responsáveis por um dos períodos mais sombrios da ditadura militar no Brasil. Descrevido pela ex-presa política Inês Etienne Romeu como “baixo, meio gordo, tipo sírio-libanês”, o militar se tornou conhecido como “Dr Bruno”, um nome que escondia a brutalidade de suas ações na “Casa da Morte”, o maior cárcere clandestino construído no morro Caxambu, em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro.
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A história, revelada em um extenso arquivo documental descoberto pelo ICL Notícias, lança luz sobre a complexidade e a extensão da repressão política durante o regime militar.
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O arquivo, composto por documentos, cartas e relatos, detalha o papel crucial do coronel Etchegoyen no controle do CIE (Centro de Inteligência), a agência responsável por coordenar as operações de tortura e desaparecimento. A pesquisa do ICL Notícias revela que o coronel, um homem que se orgulhava de seu trabalho, desempenhou um papel central na implementação de políticas de terror e controle social, utilizando a tortura como ferramenta de coerção e eliminação de opositores políticos.
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A Complexa Rede de Informantes e Operações Militares
A investigação do ICL Notícias expõe uma rede complexa de agentes infiltrados e operações militares que operavam sob o comando do coronel Etchegoyen. A documentação revela a existência de pelo menos 30 agentes infiltrados, alguns atuando no exterior, principalmente na Argentina, Chile e Uruguai, com codinomes que dificultavam o rastreamento de suas atividades.
A lista de nomes, incluindo a maioria de homens, revela a extensão da operação e a organização da repressão.
Além disso, o arquivo revela o controle da cúpula da ditadura sobre as ações do CIE, com evidências de que decisões importantes eram levadas diretamente ao gabinete do presidente, incluindo o general Orlando Geisel. A pesquisa do ICL Notícias encontrou registros de pagamentos no valor total de R$ 1 milhão para cerca de 30 ações militares que resultaram em mortes cometidas por agentes do CIE durante o período mais violento da repressão política, evidenciando a monetização da violência e a impunidade dos responsáveis.
Uma Revelação da Proximidade com a CIA
A investigação do ICL Notícias também revela uma conexão preocupante entre a cúpula da ditadura e a Central de Inteligência da CIA. Um memorando da CIA de 11 de abril de 1974, datado do período em que o coronel Etchegoyen estava no comando do CIE, descreve uma reunião em 30 de março daquele ano na qual os ex-ditadores-presidentes Ernesto Geisel e João Figueiredo discutem com os generais Milton Tavares de Souza e Confúcio Danton de Paula Avelino, respectivamente os chefes de saída e chegada do Centro de Inteligência do Exército (CIE), à época, a manutenção da política de assassinatos e desaparecimentos desenvolvida no governo Médici.
A reunião, que registrou 104 mortes de opositores, demonstra a colaboração entre as agências de inteligência dos dois países.
Testemunhos e a Verdade Revelada
A pesquisa do ICL Notícias também inclui a transcrição de uma entrevista concedida em 1994 pelo próprio coronel Cyro Etchegoyen aos pesquisadores Maria Celina D’Araujo e Gláucio Ary Dillon Soares, publicada no livro “Os anos de chumbo: a memória militar da repressão”.
A entrevista, que foi encontrada em uma cópia de carta manuscrita entregue pela pesquisadora Maria Celina, revela a visão do coronel sobre a repressão, negando a existência de tortura e minimizando a violência. A pesquisadora, que ainda mantém a cópia da carta, descreve a postura do coronel, que se mostrava orgulhoso de seu trabalho, apesar das evidências de crimes hediondos.
A descoberta do arquivo do ICL Notícias representa um marco na busca pela verdade sobre os crimes da ditadura militar no Brasil. A pesquisa, que continua em andamento, promete lançar mais luz sobre o legado do coronel Cyro Etchegoyen e sobre a complexa rede de poder que permitiu a perpetuação da violência e da impunidade.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



