Copom inicia flexibilização da Selic em meio a incertezas do Oriente Médio e inflação crescente

Copom inicia novo ciclo de flexibilização da Selic em meio a incertezas do Oriente Médio e inflação. O que esperar das próximas decisões do Banco Central?

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(Imagem de reprodução da internet).

Copom Inicia Novo Ciclo de Flexibilização da Selic

Na quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) deve dar início a um novo ciclo de flexibilização da taxa básica de juros, a Selic. Às vésperas da reunião da alta cúpula do Banco Central (BC), o mercado financeiro demonstra uma crescente incerteza relacionada ao conflito no Oriente Médio e à inflação.

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Até recentemente, as expectativas predominantes eram de um corte de 0,5 ponto percentual, reduzindo a taxa para 14,5% ao ano. No entanto, a situação mudou, especialmente devido à alta do petróleo em decorrência da guerra.

O aumento da tensão no Estreito de Ormuz, vital para o abastecimento global de petróleo e gás, levou a uma moderação nas expectativas, resultando em um mercado dividido quanto à magnitude do ajuste. O Citi, em seu relatório, destacou que a inflação no Brasil teve uma surpresa positiva, com um aumento de 0,7% em fevereiro em relação ao mês anterior.

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O conflito no Oriente Médio, por sua vez, continua a gerar volatilidade e incerteza no mercado, levando o banco a reavaliar sua expectativa de corte de 0,5 ponto para 0,25.

Expectativas do Mercado e Impactos da Guerra

Na última reunião de política monetária, os diretores do BC já indicavam a possibilidade de um corte na taxa. O Comitê previu que, se o cenário se confirmasse, iniciaria a flexibilização na próxima reunião, mas enfatizou a necessidade de manter uma restrição adequada para garantir a convergência da inflação à meta.

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Segundo o boletim Focus, a expectativa do mercado se consolidava, não fosse a guerra que afeta a maior economia e a principal região produtora de petróleo do mundo.

Os reflexos do conflito no Oriente Médio foram imediatos, com os mercados futuros reagindo assim que abriram após o início das hostilidades. Na primeira semana de conflito, o contrato mais líquido do Brent, referência internacional, apresentou uma alta significativa.

Analistas já alertavam que a volatilidade nos preços do petróleo dependeria de diversos fatores, e o Goldman Sachs foi um dos primeiros a revisar suas previsões, aumentando suas expectativas de inflação em 0,3 ponto percentual.

Pressão Inflacionária e Perspectivas de Juros

Com a curva de juros em alta na sexta-feira (13), o mercado começou a considerar a possibilidade, ainda que remota, de o Banco Central manter a taxa básica em 15% na próxima semana. As opções de Copom da B3, que permitem a negociação de contratos sobre a variação da Selic, também refletem essa incerteza.

O relatório do BNP Paribas destaca que a variação do preço do petróleo terá um impacto significativo nas previsões de inflação do comitê, mesmo com suposições de atenuação.

As métricas utilizadas pelo BC para suas estimativas são públicas e conhecidas por quem analisa seus relatórios. O impacto do conflito nas projeções do BC é evidente, com a previsão de inflação subindo em 20 pontos-base, o que diverge da meta.

A economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, ressalta que o aumento do preço do petróleo certamente afetará os modelos do BC.

Perspectivas Futuras e Comunicação do Copom

A pressão inflacionária é uma preocupação, mesmo com a taxa de juros em patamares elevados e a inflação se adequando ao teto da meta do BC. Kawauti observa que, mesmo sem a guerra, já havia argumentos para um corte mais moderado, e a situação atual adiciona mais um fator para considerar um corte de 0,25 ponto.

A economista Rafaela Vitória, do Inter, sugere que o ciclo de afrouxamento da política monetária pode ser interrompido antes do esperado, dependendo da duração do impacto da guerra na inflação.

Embora a expectativa inicial seja de um corte de 0,5 ponto, a análise da Warren Rena indica que, se a inflação se mantiver entre 4,30% e 4,50% para 2026, a Selic pode ser projetada para 13% no final do ano. Luis Felipe Vital, da Warren Rena, destaca que o Copom possui margem para recalibrar os juros, e a comunicação da decisão ao mercado será crucial, especialmente em relação às preocupações sobre o cenário atual.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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