Convivência com pets pode fortalecer a imunidade e reduzir risco de asma em crianças
Pesquisas associam a exposição precoce a cães e gatos a menor incidência de eczema, alergias e asma, possivelmente pela diversidade microbiana do ambiente.
A convivência com animais de estimação pode ajudar a fortalecer o sistema imunológico e reduzir o risco de doenças alérgicas e autoimunes. Estudos recentes apontam que crianças expostas a cães, gatos e outros animais nos primeiros anos de vida têm menor probabilidade de desenvolver eczema, asma e alergias.
Um estudo publicado na revista Allergy em junho de 2025 acompanhou quase 280 mil pessoas. A pesquisa mostrou que crianças geneticamente predispostas ao eczema, mas que viveram com cães durante os dois primeiros anos de vida, apresentaram menor probabilidade de desenvolver a condição.
Como os animais influenciam a imunidade
O chamado “efeito minifazenda” também apareceu em pesquisas sobre asma. Crianças expostas a animais domésticos antes de completar o primeiro ano tiveram uma redução de 13% a 14% no risco de desenvolver a doença, segundo uma pesquisa de coorte nacional publicada em 2015 na JAMA Pediatrics.
Outro estudo, divulgado em agosto de 2016 na New England Journal of Medicine, comparou comunidades Amish e Huteritas nos Estados Unidos. Embora ambas vivessem no campo e tivessem baixa exposição à poluição e a alimentos ultraprocessados, as crianças Amish apresentaram taxas de asma e alergia seis vezes menores.
A análise indicou que crianças Amish tinham células T reguladoras mais eficientes, estruturas essenciais para controlar respostas exageradas do sistema imunológico. As casas da comunidade também apresentavam maior diversidade microbiana, principalmente por causa da proximidade com animais.
O papel do microbioma na proteção
Para o coautor Jack Gilbert, professor da Universidade da Califórnia em San Diego, o sistema imunológico humano se adaptou ao longo da evolução à presença de micróbios de animais domésticos. A avaliação da poeira das residências mostrou que os lares Amish concentravam uma variedade maior de microrganismos do que as casas dos Huteritas.
Outras pesquisas chegaram a resultados semelhantes. Um estudo publicado em 2012 na revista Journal of Allergy and Clinical Immunology concluiu que crianças criadas próximas ao gado em fazendas dos Alpes tinham proteção contra asma, rinite alérgica e atopia.
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Já o estudo que deu origem ao termo “efeito minifazenda”, publicado em dezembro de 2018 na revista PLoS One, apontou que a prevalência de doenças alérgicas entre crianças de 7 a 9 anos diminuía à medida que aumentava o número de animais de estimação presentes na casa durante o primeiro ano de vida.
Cães podem agir como probióticos?
Pesquisadores também investigam se os animais conseguem influenciar diretamente a microbiota humana. Charles Raison, pesquisador da Universidade do Arizona e autor principal de um estudo de 2015, afirma: “Acreditamos que os cães podem atuar como probióticos para melhorar a saúde das bactérias que vivem em nossos intestinos”.
Com base nessa hipótese, pesquisadores americanos analisaram programas de adoção de cães abandonados por idosos. Na Itália, cientistas criaram fazendas educacionais para que crianças urbanas tivessem contato regular com cavalos.
Os resultados foram considerados promissores. Um estudo publicado na One Health em dezembro de 2024 mostrou que, “após a interação, as crianças adquirem componentes probióticos e metabólitos que promovem a saúde”.
Gilbert avalia que a exposição a microrganismos pode melhorar a imunidade mesmo sem que eles colonizem o organismo. Há ainda efeitos indiretos, como os passeios com animais de estimação, que ampliam o contato com micróbios presentes no parque e no solo, segundo Liam OMahoney, professor da University College Cork, na Irlanda.