Contrato de R 140 milhões do São Paulo com a Ticketmaster provoca disputa interna
Comissão criada por Olten Ayres avaliará questionamentos da NewC antes da análise do Conselho Deliberativo sobre o acordo aprovado pela diretoria.
O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube, Olten Ayres, determinou nesta terça – feira (1) a criação de uma Comissão de Análise de Contrato para examinar o acordo entre o clube e a Ticketmaster, escolhida para assumir a gestão dos ingressos do Morumbi.
A proposta prevê antecipação de R 140 milhões ao Tricolor, com devolução em cinco anos e correção monetária.
O contrato ainda precisa passar pelo Conselho de Administração e ser encaminhado para análise. A diretoria considera o acordo essencial para antecipar receitas e quitar atrasos e pendências com o elenco. A comissão foi criada após questionamentos apresentados pela NewC, empresa que também participou da concorrência.
Comissão vai analisar questionamentos da NewC
Olten Ayres afirmou ter recebido o documento da NewC na última quinta – feira (27). Também chegou ao presidente do órgão um e – mail de representantes da empresa, que contestaram a condução da concorrência pela diretoria do São Paulo Futebol Clube.
A NewC apontou falta de respostas da diretoria, uso de informações desatualizadas e desvalorização de critérios técnicos durante o processo. A empresa afirma que sua proposta era de R 500 milhões.
O clube, por sua vez, entende que a oferta de R 500 milhões nunca foi oficializada pela NewC. Por isso, considerou apenas a proposta formal apresentada pela empresa e concluiu que a Ticketmaster ofereceu as melhores condições.
A comissão deverá avaliar essas alegações. A decisão de Olten Ayres ocorreu depois que a proposta da Ticketmaster foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração e encaminhada ao Conselho Deliberativo, no dia 27 de agosto.
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Proposta da Ticketmaster prevê R 140 milhões
O acordo apresentado pela Ticketmaster prevê R 110 milhões ao Tricolor em até 45 dias depois da assinatura. O valor será tratado como empréstimo e devolvido pelo clube em cinco anos, com juros correspondentes ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) mais 1,99%.
A empresa também pagará R 30 milhões logo depois da assinatura e ficará responsável pela gestão do camarote 29A por cinco anos. Os R 110 milhões antecipados, somados aos R 30 milhões, são considerados cruciais para o pagamento de dívidas com o elenco nesta temporada.
Em nota oficial, o Presidente da Diretoria Executiva do São Paulo Futebol Clube criticou a abertura da comissão e a atuação da NewC. A diretoria afirmou que o processo foi estruturado ao longo de mais de quatro meses, recebeu seis propostas e passou pela análise das áreas responsáveis e pelas instâncias de governança do clube.
O São Paulo Futebol Clube também negou que a concorrência envolvesse ativos imobiliários ou o direito de superfície do MorumBIS. Segundo a diretoria, o material apresentado pela NewC era um conjunto de slides com uma ideia preliminar de operação financeira, vinculada ao estádio, que poderia levantar ATÉ R 500 milhões, sem garantia de que o valor seria alcançado.
Clube questiona participação da Lu Arenas
A estrutura apresentada previa a participação da Lu Arenas, empresa presidida por Bruno Balsimelli. O projeto sugeria um fundo de investimento imobiliário com receitas futuras do Clube e o Estádio do MorumBIS como parte da operação.
A diretoria disse ter solicitado várias vezes que a NewC entregasse uma proposta formal, completa e detalhada, mas afirmou que isso nunca ocorreu. Também declarou que a área de Compliance do Clube apontou a participação da Lu Arenas como obstáculo à continuidade das negociações.
Na nota, o São Paulo Futebol Clube citou a extinção da concessão da Arena Independência pelo Governo de Minas Gerais. Segundo comunicado oficial do próprio Governo de Minas, a empresa deixou de repassar ao poder público, desde 2015, valores que já somavam aproximadamente R 36 milhões.
A diretoria afirmou que a Ticketmaster, uma das maiores empresas globais do setor de ingressos, atende aos requisitos estabelecidos pelo Clube, oferece investimentos garantidos e segurança jurídica. O São Paulo Futebol Clube também disse que a parceria pode ampliar as receitas de bilheteria e do programa de sócio – torcedor, além de melhorar o serviço aos são – paulinos.