Setor da Construção Civil alerta sobre mudanças na jornada de trabalho 6×1. Renato Correia, da CBIC, pede debate sério para evitar impactos negativos
A construção civil manifesta preocupação em relação à possível alteração da escala de trabalho 6×1, proposta pelo Ministério do Trabalho. Renato Correia, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), enfatiza que essa mudança deve ser debatida de forma abrangente, pois pode impactar os custos sem garantir um aumento imediato na produtividade.
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Em entrevista ao CNN Money, Correia destacou que o setor conta atualmente com 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Ele alerta que qualquer modificação na carga horária, sem um correspondente ganho de produtividade, pode afetar negativamente todo o mercado. “Precisamos discutir isso com seriedade para desenvolver um projeto que aumente a produtividade no país e, assim, possibilite uma futura redução na carga de trabalho”, afirmou.
O presidente da CBIC ressaltou que a falta de competitividade do Brasil no mercado internacional é atribuída à baixa produtividade, resultante de diversos fatores, como o custo Brasil, a burocracia, a carência de infraestrutura e questões educacionais e tecnológicas.
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Para Correia, é fundamental avançar nesses aspectos antes de considerar mudanças na jornada de trabalho.
Ele mencionou que a reforma em andamento já representa um passo significativo, alinhando a tributação brasileira à de países desenvolvidos e permitindo a industrialização do setor, que era dificultada pelo sistema anterior de tributos em cascata.
Contudo, ainda há muito a ser feito em termos de capacitação, tecnologia e infraestrutura.
Correia destacou que o Brasil já possui instrumentos para regular a jornada de trabalho por meio de convenções coletivas. Atualmente, 29% dessas negociações incluem cláusulas sobre jornada, permitindo ajustes regionais que considerem as condições econômicas locais. “Estamos preocupados com regras uniformes para todo o Brasil, pois o país é muito diverso”, explicou.
Ele citou que, enquanto a média nacional é de 38,7%, no Norte e Nordeste esse índice chega a 50%, o que significa que medidas que beneficiam apenas trabalhadores formais podem deixar uma parte significativa da população desprotegida. Além disso, Correia mencionou que a burocracia na aprovação de projetos representa cerca de 12% do custo de um imóvel no Brasil, segundo levantamento da CBIC.
Para ele, existe uma grande oportunidade de avanço se houver um esforço conjunto dos poderes municipais, estaduais e federais para desburocratizar os processos de licenciamento e aprovação de obras. Apesar de as discussões sobre o tema terem se intensificado no final do ano passado, Correia informou que a CBIC ainda não foi formalmente consultada pelas autoridades para contribuir com o debate, mas expressou confiança de que isso acontecerá em breve, destacando a boa relação do setor com o Ministério do Trabalho.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.